terça-feira, agosto 17, 2010

O que se leva da vida é a vida que agente leva

Ando meio sem inspiração para escrever, talvez sejam minhas novas madeixas loiras, sabe como é o efeito da amônia nos neuronios rs, entao resolvi publicar o texto roubado do blog da minha prima, mesmo pq a experiencia nao muito agradavel foi compartilhada, achei interessante, pois o ponto de vista é similar, portanto é o que se segue:


Durante minhas férias, passei por uma experiência nada boa, fui assaltada. Levaram tudo que eu tinha, ou melhor, eu achava que só tinha aquilo, que só aquilo tinha valor. Netbook, câmera, celular, pares de tênis, dinheiro, etc. Coisas que a gente pensa que não pode viver sem. Eu também pensava assim, até receber uma visita. A morte veio me visitar, e ficou sentada perto de mim e da minha família enquanto bandidos miravam suas armas em nossas cabeças. Ela tentou chegar perto dos gatilhos, eu sei. Algo a impediu, algo sobrenatural, algo maior que tudo. E assim, após de duas horas e meia de desespero, e choros sufocados para não comprometer a vida de ninguém, a morte resolveu ir embora. E levou com ela um sentimento, o materialismo.
De uma certa forma, os dias após esse acontecimento foram uns dos melhores da minha vida. Admito que chorei, como nunca, mas foi de felicidade, ou de agradecimento. Olhar o sol se pondo, mais um dia, escutar uma música bonita, sentir o vento batendo no rosto, não tem coisa melhor no mundo. É uma sensação estranha, é meio que inacreditável, mas eu poderia estar morta, eu poderia não poder mais sentir tudo o que eu estou sentindo. E lembrar de cada momento de desespero, cada objeto sendo roubado, já não importa tanto. Eles levaram tantas coisas que eu não precisava, que não eram necessárias pra sobrevivência. E o que tinha de mais valor naquela casa eles não levaram, as nossas vidas.
Portanto, eu não quero mais esperar que algo desse tipo aconteça de novo pra viver, pra sentir, pra aproveitar. Da próxima vez pode não ser um aviso, e eu vá mesmo. E depois vai ser tarde demais pra me arrepender, e querer viver. A vida passa depressa, e você sempre pensa que não vai ser com você, que você vai viver 100 anos, e vai morrer dormindo de velhice. A vida não é assim, o que a gente escolhe não é sempre o que acontece.

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