A primeira bebida (alcoólica!) do homem, ainda adolescente, é a cerveja. É barato e fraquinha. Depois vem o chope. Se você tem mais de 50, passou pela Cuba Libre (Coca-Cola com rum) e pelo Hi-Fi (Crush com vodka), numa época embalada por boleros e baladas. Besame Mucho e me paga um Cuba, tesão?
O uísque vem logo depois. Ainda na universidade é nacional mesmo, pela falta de grana. Mas depois vai se sofisticando para o escocês. E, quem pode, começa a pedir por 8, doze anos.
Mais idosinho, tem uns que caem no gim logo pela manhã, perigosíssimo. E quem quer beber escondido da mulher toma vodka porque não deixa cheiro.
A esta altura o homem, bebendo há quarenta anos, tomou (por baixo) 2.080 litros de álcool puro. Uma piscina, o tamanho do porre. É quando ele começa a sentir o fígado dando alarme e inicia o processo de volta aos fermentados e descobre o vinho. Dizem os médicos (pelo menos os médicos que bebem) que um copo de vinho por dia faz bem à saúde. Quem sou eu para duvidar?
O vinho é a cerveja da terceira idade (dizem que na quarta, volta a ser a cachaça pura) e o sujeito se torna um sofisticado. Todo mundo que toma vinho fica metido a besta. Metido a entender de regiões, de safras, de anos e até mesmo de rolhas. Ninguém toma um vinho impunemente. Há de se tornar um expert em uvas. O fígado agradece. Em viagens para a Europa começa a fazer circuitos de vinhos, vira um degustador, um homem fino.
O que eu não consigo entender é porque os jovens já não começam pelo vinho e ficam nele a vida toda. Talvez seja porque o jovem queira ficar de barato rapidinho. É preciso encher muito a cara para descobrir os prazeres do vinho, depois de quarenta anos de adegas da vida.
Estou falando de vinho tinto, é claro, porque o branco é coisa só para vernissage e noite de autógrafos. E o rosê, bem o rosê é coisa de viado mesmo.
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