quinta-feira, setembro 16, 2010

Sorriso à Cabidela

O sorriso sincero de uma mulher é uma experiência tão sublime quanto sua própria silhueta desnuda à meia luz e com vista para o mar.

Porque o sorriso, quando de verdade, é uma expressão ímpar. Não é apenas a boca. São olhos, sobrancelhas, testa, ombros, todos em uníssona harmonia.

E quando somos nós os responsáveis por arrancar um sorriso assim, é difícil não querer um segundo. É quase tão bom quanto aquela última porção de galinha à cabidela que o garçom escondeu para entregar quando você chega no bar e a cozinha já está fechada.

Mestres do disfarce, talvez por isso elas achem que nós nunca sabemos quando estão rindo de mentirinha. Seja de uma piada sem graça ou de uma cantada sofrível e repetida ad infinitum.

Embora a gente perceba tão pouco o universo feminino, há duas coisas que conseguimos diferenciar a quilômetros de distância: sorrisos sinceros e mentiras sinceras. O resto a gente não entende, não adianta comprar brincos novos ou mudar o penteado.

A gente não precisa ser Roger Rabbit e tampouco elas parecem ter vocação para Jessica. Mas roda o mundo e giro pelo mundo, não consigo parar de questionar: por que os casais de hoje sorriem cada vez menos?

Em viagens nas quais não tenho compromissos formais, fica mais fácil olhar em volta. Talvez porque o intervalo onde deveria estar trabalhando é aquele intervalo onde podemos ganhar as ruas de urbes desconhecidas e abertas a forasteiros intrépidos e eventualmente insones.

Seja em restaurantes chiques de centolla ou bares imundos debaixo da marquise, casais que não sorriem sufocam as pessoas ao redor.

Exemplos são inúmeros, mais recente em viagem pelo deserto patagônico onde, curiosamente, há casais do mundo inteiro em lua-de-mel. Se olham, trocam algumas palavras, comentam sobre o gosto do cordeiro sul-americano. Procuro com os olhos, mesa por mesa, ninguém ri. Ninguém conta sequer uma piada de tomate.

No refeitório da empresa, na praça de alimentação do shopping, na fila do cinema, ninguém parece falar nada suficientemente engraçado para arrancar um sorriso sincero de mulheres tão lindas. Ou os homens se tornaram entes minerais ou as mulheres não encontram mais motivos para rir.

Em ambos os casos, me parece melhor dar um tiro na cabeça. Elas não acham mais graça em nada ou somos nós que não conseguimos fazê-las rir como antigamente?

Porque quando uma besteira engraçada se transforma em uma besteira estúpida na cabeça de uma mulher, não há muito a fazer. Se não conseguimos arrancar um simples sorriso, é melhor fazer a mochila e ir embora. Ou se igualar aos casais patagônicos.

Uma guia de turismo me perguntou se havia gostado de ver um elefante-marinho tão de perto. Com sono e de ressaca, apenas respondi que não, porque foi como me ver no espelho sem Photoshop.

Foi o riso mais sincero que vi no meio daquele mundão de gente. Assim como a piadinha ridícula, igualmente sincera. Elefantes-marinhos me deixam desconfortável diante de tamanha semelhança austral.

Talvez os gurus da auto-ajuda tenham dito às mulheres que é deselegante sorrir em público. Talvez as revistas femininas digam que sorrir para homens desconhecidos é promíscuo. Talvez vossas genitoras digam que sorrir para estranhos é perigoso. Talvez hoje a gente só saiba sorrir para foto no Orkut.

São tantos talvez e tão poucas risadas sinceras.

Estou para desligar o Word e finalmente embarcar após horas de atraso no check-in, chega-me uma miúda de seus cinco anos de idade, mais parece uma hiena tagarela quando me pergunta o que estou fazendo. Penso em responder “N-A-D-A” para fazer a pentelha ir embora, mas lembro dos elefantes-marinhos e apenas digo que estou escrevendo um manifesto sobre a falta de sorriso das pessoas. Terminou causando o mesmo efeito e ela foi embora. Ao longe vejo a suposta mãe olhando com um leve sorriso sincero e me pergunto se ela ouviu.

Uma mulher que não sorri deveria penhorar sua alma para outra. Porque mulheres lindas sem senso de humor não merecem a admiração que causam por onde passam.

No meu fantástico mundo de bobby particular, as mulheres lindas vão se tornar feias a cada sorriso de Orkut. E as mulheres feias serão as mulheres mais lindas para os homens que conseguem arrancar-lhes um sorriso sincero.

E haverá porções infinitas de galinha cabidela à espera de todos. Mesmo depois de fechada a cozinha.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Homens não ligam no dia seguinte

Estava eu folheando um semanário quando, de repente, leio uma propaganda de uma operadora de cartão de crédito que dizia mais ou menos assim: “perfume tal: 50 reais; vestido novo para a festa: 120 reais; ele ligar no dia seguinte: não tem preço”. Na propaganda, aparece uma mulher de roupão, deitada no sofá, com aquele sorriso que bate na testa, tamanha a satisfação.

Em minha impopular (porém imbatível) sensibilidade e romantismo de botequim da esquina, achei essa apelação um motivo suficiente para comentar sobre a pieguice neofeminista que prega o chavão de que nós, homens, seres humanos de duas cabeças impensantes, não gostamos de ligar no dia seguinte porque somos machistas, cafajestes, vulgares, biltres, infames e outros adjetivos ocasionalmente não muito falsos.


O interessante é a celeuma com a qual homens e mulheres criaram em torno da ligação no day after. Aquela velha ladainha: se fulano ligar é porque está interessado. Se fulano não ligar é porque só quis passar uma noite. Acredite: às vezes homem também tem dessas frescuras contemporâneas.

Outro dia li o depoimento de uma colega que resolveu se juntar ao meu protesto anti-neofeminista. Ela nos dá um exemplo ímpar sobre a lengalenga de esperar uma ligação no dia seguinte. Conta o caso de uma sicrana que saiu com o homem dos sonhos (que meigo), mas na hora de ele subir no apartamento dela (sem trocadilhos) para deixá-la na porta, ela não deixou ele entrar. Também sem trocadilhos, por favor.

Rolou aquele amasso básico encostados à porta etc e tal, mas a sicrana não quis que a primeira noite tivesse uma conclusão, digamos assim, mais carnal; ela achou melhor deixar para o segundo encontro. De cabeça baixa, em todos os sentidos, o cara foi embora e no dia seguinte a sicrana se preparou todinha (banho, perfume, orixás etc…) porque de noite, finalmente, ela ia abrir a porteira dela – agora com trocadilhos mesmo.

O fato é que o cara não ligou. Nem no dia seguinte, nem no posterior, nem no outro dia e nem nunca mais. E o celular dele sempre estava fora de área: louvado seja o bina, amém!

Chegamos então a um paradoxo comportamental. Caso a sicrana tivesse aberto a porteira no primeiro encontro e o cara não ligasse no outro dia, ela ia telefonar para todas as amigas dizendo que ele só queria saber daquilo, que era um cafajeste, um aproveitador, um pusilânime e tantos outros adjetivos eventualmente mais ou menos corretos. Isso como se ela também não estivesse a fim.

O cara não ligou e ela ficou sem tirar o atraso. Sem a intenção de explicitar conclusões precipitadas – cada um que abra e que feche a porteira quando bem entender – a história, que já deve ter acontecido com 99,9% das mulheres, serve para ilustrar como o convencionalismo da “ligação no dia seguinte” não é referência alguma a não ser uma pieguice inventada para tentar preencher frustrações contemporâneas.

As mulheres costumam dizer que ligar no dia seguinte é um sinal de respeito, de carinho, de que a noite anterior foi aprazível e interessante. Não há dúvidas de que elas têm razão. No entanto, de acordo com os estudos de campo realizados pela CRECA
- Centro Rebelal de Estudos Comportamentais Avançados – o buraco (da questão…) é mais embaixo.

Com o passar dos tempos, uma facção de neofeministas conseguiu gerar uma enorme algazarra em torno da ligação do dia seguinte, conseguiram transformar uma simples ação informal em um verdadeiro atestado de sentimento reconhecido em cartório.

Enfim, criaram um leviatã enorme cheio de ilusões sentimentalistas a ponto de fazer com que nós, seres dupla e irracionalmente encabeçados, simplesmente tenhamos pesadelos só de pensar em ligar no dia seguinte para em seguida receber, via sedex, um atestado de compromisso. Quando não um bilhete com o nome da igreja e do padre para o casamento. Ou seja, às vezes até queremos ligar para marcar a próxima visita na floresta. Só não queremos casar ou atestar compromisso em cartório, não por enquanto.

Como diria aquela antiga propaganda: a decisão é sua; a solução é nossa.

Se você, mulher livre, inteligente e cheia de amor para compartilhar, saiu com aquele cara dos sonhos e ele não ligou no dia seguinte, não venha jogar a culpa na gente. A culpa é daquelas poucas coleguinhas de vocês neofeministas frustradas que, na falta de [escreva o substantivo aqui], resolveram criar um certificado sentimental que é traduzido em um reles telefonema o qual muitas vezes, quando feito, não significa nada mais do que um método eficaz de despache.

Moral da história: se você sair com aquele cara super gente boa (eu inclusive, ok?) e, no fim da noite, você estiver a fim de passear de banana-boat tanto quanto ele de visitar a Amazônia, não pense duas vezes: tome uma atitude!

Pois, se no outro dia ele não ligar, pelo menos você não deixou a noite terminar no zero a zero e vai ter assunto para conversar com as amigas na mesa de bar.

A bronca será se ele pegar no seu pé, ligar o dia inteiro e você não querer atender… aí é quando a porca torcer o rabo, macaco fuma charuto e eu quero ver você continuar dizendo que homem é tudo safado.

Mulher Infeliz

Ela pode ser linda a ponto de a gente ficar horas em silêncio olhando para aquelas curvas e cheirando aquela pele. Mesmo assim, é difícil admirar uma mulher infeliz.

Não sabemos exatamente o porquê, mas hoje para onde olhamos parece só haver mulheres infelizes ou à espera de uma vida de novela. E a gente nem se parece com o Zé Mayer.

Quando estão sozinhas, é uma infelicidade imensa porque estão sozinhas.

Se jogam nas baladas, nos shows, nos cursos de todos os tipos, aulas de dança, ligam para amigas que nem lembravam mais (mas que conhecem muita gente) e assim passam os dias como se o escolhido da Matrix da vida delas fosse aparecer sempre hoje.

E o azar dela é sempre a sorte de um zé ruela.

Sim, porque sempre há um zé ruela de plantão. E o primeiro que aparece e liga no dia seguinte se transforma no dono da chave do seu coração da noite para o dia, a solução de todos os problemas tabajara. O desastre vindouro é amplamente conhecido de todas as mulheres do mundo, mas elas adoram um zé ruela.

O tempo passa e, entre tantos zé ruelas espalhados pela cidade, não é que às vezes aparece alguém interessante de verdade?

Depois de tanta infelicidade desta vida injusta e cruel, cai do céu um arataca joiado e brioso e tudo vira uma felicidade só. Geralmente é um cara engraçado, um pouco mais inteligente do que os zé ruelas da balada e sempre “menos bonito” do que elas admitem para as amigas ao telefone.

Os dias vão passar lindos e ensolarados até chegar uma tarde chuvosa e ela se fazer a pergunta mais antiga do universo-fêmea: a gente tem futuro?

Então a infelicidade começa a bater à porta.

Porque ela não entende que às vezes a prioridade na vida dos homens não é exatamente planejar os próximos 30 anos em comunhão matrimonial com o padre que batizou a família inteira, ter dois filhos galegos de olhos azuis, apartamento de três quartos, adega com vinhos para receber os amigos, plano de aposentadoria privada, férias todo ano e um cachorro (com pedigree) no quintal.

Nem sempre porque a gente não quer, nem sempre porque a gente não está apaixonado, nem sempre porque a gente não pensa sobre o futuro (sempre compramos o ingresso do jogo antecipado), mas apenas porque às vezes estamos calejados demais por nadar neste oceano de incertezas das relações humanas, de ir contra a lógica natural dos telhados de vidro e de um pseudo-futuro que adora nos passar a perna.

É claro que o discurso não adianta de absolutamente nada.

E tudo se transforma numa infelicidade só. Porque agora ela não está sozinha, mas se sente sozinha. E faz questão de repetir isso várias vezes, principalmente nas festinhas e nas baladas cheias de zé ruelas que as amigas vão levar.

O tempo vai passar, vai ser muita infelicidade injusta e cruel, tudo de novo, mas num belo dia de primavera não é que aparece uma criatura-macho ainda mais briosa e querendo praticamente tudo que ela quer e sempre sonhou?

Quer viajar junto, andar de mãos dadas, conceder as temíveis “mostras públicas de afeto” que as mulheres tanto adoram, fazer uns planinhos para o futuro, juntar um dinheiro para gastar nas férias dela, pensar na carreira dos dois e eventualmente a gente até faz uma cosquinha na orelha do vira-lata parado ali na esquina, tipo mensagem subliminar.

Agora para ela tudo é uma felicidade gigante, a gente também não cansa de admirar aquela mulher que consegue nos deixar tão leves e já nem achamos tão ridículo assim as trinta e duas temporadas do Sex and the City. Embora a gente continue preferindo o Rambo I, II, III e IV e não se importe de assistir sozinho de madrugada, pela vigésima quinta vez, enquanto ela ronca feito um trator de guerra com três parafusos soltos e depois reclama quando a gente faz o mesmo.

O tempo passa e ela parece a mesma bonequinha do primeiro dia que você a viu. O trabalho lhe leva para os lugares mais insólitos e você não cansa de pensar se ela gostaria de estar ali também.

Até uma noite de sábado como qualquer outro sábado de inverno, você regressa de viagem e ela prefere lhe esperar em casa em vez de ir ao aeroporto (muito trânsito, muito trabalho, muitos compromissos), já não lhe dá aquele abraço grande de saudade, já não planeja umas folgas em conjunto, já não compra as revistas de viagens, quer dizer, já não olha no Google uns lugares bacanas para ir.

Nem sempre porque ela não está com saudade, nem sempre porque ela não continua apaixonada, mas apenas para deixar bem claro que alguma coisa não está bem (embora ela ainda não saiba explicar o quê) e que ela não está feliz. Acendeu o sinal amarelo e agora você se sente na obrigação de ser engenheiro, matemático, químico e físico para consertar tudo e ter a resposta correta da inequação.

Não demora e ela começa a sair novamente com as amigas, você acha ótimo, sem saber que agora as saídas servem para lamentar alguns “pequenos detalhes” que ela não suporta mais no companheiro.

As roupas que você usa são “sempre as mesmas” e ela reclama que você às vezes sai de casa parecendo “um peixeiro do mercado São José”. E ela começa a ter vergonha, logo ela, que tanto lhe admirava, agora não aceita mais quando você chama a amiga de sirigaita. E reclama por você parecer um velho usando termos arcaicos feito sirigaita e usando camisas de botão que já perderam a cor.

De repente, suas piadas já não são mais tão engraçadas quanto antes. A raça de cachorro (grande, peludo e desastrado) que você sempre sonhou em ter desde criança não é a mesma raça que ela quer. E você prefere ouvir calado que isso ou aquilo podem se transformar num problema “sério” naquele tal de “futuro” em conjunto.

A infelicidade nem precisou pedir licença desta vez, entrou e toma conta da sala, do quarto e da cabeça dela. E no meio deste turbilhão cortês, um belo dia alguém faz a segunda pergunta mais antiga do universo-fêmea: quando vocês vão oficializar essa relação?

Como assim quando? E antes era o quê?

Pronto, voltamos à estaca zero da infelicidade cruel, injusta, sem tamanho, porque somente agora ela parece perceber que talvez as coisas tenham mudado e não foi uma mágica da noite para o dia, como se a gente fosse dormir apaixonado e acordasse zumbi de George Romero.

E em vez de aceitar ou admitir pequenas verdades em vez depequenas mentiras, é mais fácil achar que o amor acabou, que você não quer mais saber dela ou que está saindo com outra. No caso dela, às vezes é mais fácil fazer o mesmo também e migrar para outras praças.

Afinal, para cada mulher infeliz no mundo existe no mínimo trinta zé ruelas.

E a criatura volta a naufragar sem parar para pensar como uma estrada asfaltada começou a ter tantas curvas, tantos detalhes, tantas sinalizações, tantas patrulhas e tantas leis de trânsito em tão pouco tempo de construção.

Sempre parece mais fácil procurar respostas sem saber as perguntas, reclamar de tudo, de todos, da vida injusta, cruel, tumultuada, conturbada.

As mulheres felizes existem, claro.

Estão espalhadas pelos quatro cantos do planeta e são admiradas como só elas sabem ser. Algumas simplesmente nasceram assim, outras aprenderam com o tempo que as frustrações existem para serem enterradas, as alegrias para serem lembradas e o futuro para ser trilhado um passo de cada vez, devagar para não tropeçar.

Falar parece simples. Mas talvez o segredo das mulheres felizes seja justamente a simplicidade.

E elas apenas observam, de longe, as infelizes mulheres jovens, velhas, inexperientes, maduras, altas, baixas, pobres e ricas, todas perdidas à procura de um pacotinho de felicidade para cozinhar em três minutos. E às vezes até lembram que um dia elas já foram assim.

Novas estradas sempre vão surgir no horizonte e talvez novas mulheres nos façam passar horas olhando para elas em silêncio com o nariz por baixo daqueles cangotes cheirosos. Só que o tempo passa para todos e às vezes você já está cansado demais de andar em estradas tão irregulares e ter que parar no acostamento a cada dose de infelicidade alheia.

Enquanto o mundo das mulheres infelizes desaba, as mulheres felizes apenas sorriem.

E a gente quer sorrir com elas.

LOUCOS E SANTOS

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila,
que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças
e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Pena, não tenho nem de mim mesmo, e risada, só ofereço ao acaso.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem,
mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto;
e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou, pois os vendo loucos e santos,
bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que
"normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Mesmo Assim

As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas.
Ame-as MESMO ASSIM.

Se você tem sucesso em suas realizações,
ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos.
Tenha sucesso MESMO ASSIM.

O bem que você faz será esquecido amanhã.
Faça o bem MESMO ASSIM.

A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável.
Seja honesto MESMO ASSIM.

Aquilo que você levou anos para construir,
pode ser destruído de um dia para o outro.
Construa MESMO ASSIM.

Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda,
mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar.
Ajude-os MESMO ASSIM.

Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo,
você corre o risco de se machucar.
Dê o que você tem de melhor MESMO ASSIM.

terça-feira, setembro 14, 2010

MULHERES FORTES

Ah, como deve ser boa a vida das mulheres frágeis; elas sempre têm alguém que carregue os embrulhos, preencha o Imposto de Renda, troque o pneu do carro, e por aí vai.

As fortes fazem tudo sozinhas, e são sempre chamadas nas horas do aperto: elas aguentam qualquer tranco, e são tão fortes que se metem até mesmo onde não são chamadas, para ajudar a resolver os problemas dos outros. Elas acreditam no personagem, veja só.

É dura a vida das fortes, que não são poupadas de nada.

Se alguém está com uma doença grave, é a elas que vão contar; se a namorada do sobrinho ficou grávida, são as primeiras a saber, e quando alguém da família é preso com uma trouxinha de maconha, são imediatamente chamadas para as providências de praxe - fora os problemas financeiros, é claro.

Enquanto isso, os pais e mães desses jovens adoráveis estão tomando uma vodca na beira da piscina sem saber de nada - eles não aguentariam um choque desses e precisam ser poupados, porque são frágeis.

Existe sempre alguém para cuidar dos frágeis, seja um parente, um amigo, até um vizinho, que bate na porta preocupado com o silêncio e para saber se ela está precisando de alguma coisa. Uma mulher frágil é mais frágil que um recém-nascido, e como os homens adoram o papel de protetores - para se sentirem fortes e poderosos -, é a união perfeita da fome com a vontade de comer.

Quando elas ficam doentes, um verdadeiro exército é mobilizado; um leva revistas, o outro um embrulhinho com pêras, maçãs e uvas, e se ela não tem empregada não falta quem vá para a cozinha fazer uma canjinha.

Preste atenção que vai perceber que essas mulheres frágeis são indestrutíveis.

As fortes, na hora de uma crise de coluna, se arrastam até a geladeira para pegar um copo de água, e se alimentam o fim de semana inteiro com uma barra de chocolate, pois ninguém telefona para saber se precisam de alguma coisa. E elas, verdade seja dita, preferem morrer de inanição a pedir socorro, para não cair o tipo.
Há uma pesquisa a ser feita: uma mulher frágil nasce frágil ou escolhe essa profissão para se dar bem na vida? Por que elas se dão bem, e sempre encontram um homem - talvez ainda mais frágil do que elas - para cuidá-las, acarinhá-las e cuidar para que nada as atinja, nunca?

Afinal ela é tão frágil, coitadinha. Enquanto isso as fortes se acabam de trabalhar, e são elas que saem dos supermercados com pacotes de compras sem que ninguém se proponha a dar uma ajuda, mesmo que modesta.

Somos todos estimulados a ser fortes, mas boa vida mesmo levam as frágeis, daí a dúvida: não seria melhor que as mães, os pais e os colégios ensinassem as crianças a ser frágeis, pois sempre haverá alguém para cuidar delas pela vida toda? E aliás, qual a vantagem de ser forte, além de saber que um dia alguém se referiu a ela dizendo "aquela é uma mulher forte". Um grande elogio, é verdade. Mas e daí?

Toda mulher forte tem desejos secretos que não conta nem a seu travesseiro: que alguém - e não é preciso que seja um homem - faça um gesto por ela, de vez em quando. Nada de muito importante; apenas um cuidado, do tipo dizer que a está achando pálida, perguntar se tem se alimentado direito, pegar pelo braço e levar para tomar uma vitamina bem forte.

Sabe qual é o sonho dourado de uma mulher forte? Ter uma gripe com 38 graus de febre e poder ficar na cama. Mas para ela até ter uma gripe é difícil, pois uma mulher forte não adoece: e se isso acontecer, o mais difícil vai ser receber ajuda, pois uma mulher forte não deixa que ninguém faça nada por ela, mesmo precisando desesperadamente, para não passar por frágil. E é capaz de preferir se deixar morrer de tristeza, solidão e sofrimento a pedir socorro seja a quem for.

Como são frágeis, as fortes.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Ninguem

Sapato baixo, calça larga e cabelo preso. Esquentou e seus ombros tensos agradecem. Que cara bonita é essa? Já logo no elevador. Ah, devo ter dormido bem. Bom dia, bom dia. Olha, você está muito bonita hoje. Um fala, outro concorda. E pelos corredores, sorrisos dão continuidade aos elogios. O que é? Que segredo ela guarda? Que novidade é essa? Na cozinha perguntam: novo amor? No estacionamento perguntam: voltou com alguém? No restaurante, na hora do almoço: é alguém novo? Cruza com um namorado antigo “nossa, você tá muito... é o quê? Sexo? A noite toda? Conta, vai, eu agüento ouvir”. Contar o quê? No espelho, enquanto escova os dentes, fecha os olhos e sabe pra si o segredo: ninguém. Não gostar de ninguém. Nada. Nem um restinho de nada. Nem de tudo que acabou e nem de nada que possa começar. Nada. Pouco importa qualquer outra vida do mundo. Não é nem pouco, é nada mesmo. Um dia inteiro para achar gostosas coisas bobas como um pacote de pipoca doce, um tênis pink ou a hora do banho quente com músicas recém baixadas e o tapetinho vermelho. Um dia inteiro sem escravidão. O celular, o e-mail, o telefone de casa, o ar, o interfone, a rua. São o que são e não carrascos que nada dizem e nada trazem. Um coração calmo, se ocupando de mandar sangue para as horas felizes de trabalho, estudo, yoga, massagem, dormir, bobeiras, pilates, comer, rir, cabelo, filmes, comprar, trabalhar mais, ler, amigos . É isso. Uma agenda enorme que a ocupa de ser ela e não sobra uma linha de dia pra lamentar existências alheias. Linda, ela segue. Linda e feliz como nunca. O segredo do espelho, escovando os dentes, sozinha, aperta os olhos, segura a alma um pouco sem respirar. Segura a pasta pensando que é um pouco de alma consistente na boca. Não cospe, suporte. Ela pode finalmente suportar seu peso e não dividir isso nem com o ventinho que entra pela janela. Nem com o ralo que a espera boquiaberto. A sensação é a da manhã seguinte que o papai Noel deixava os presentes: não é mentira, é só um jeito de contar a verdade com algum encantamento.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Amores Mal Resolvidos

Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de sol, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade.
Metade deste povaréu sofre de dor de cotovelo.

Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estima, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos tem um amor mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação.

Por que isso acontece?

Tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórico no assunto.

Acho que as pessoas não gastam seu amor. Isso mesmo.
Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim.
Você sabe, o amor acaba. É mentira dizer que não.
Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais. Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: lembranças, amizade, parceria, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor for devorado até o fim.

Dor de Cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote. O amor tem que ser vivenciado. Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia, sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. E tem que ser vivido em sua totalidade.

É preciso passar por todas as etapas:
atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim.

Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estarmos abertos para novos amores.

Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez.

Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize.

Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo.

Isso é que libera a gente para Ser Feliz Novamente!!

TOP 5

AS 5 MELHORES COISAS SIMPLES DO MUNDO
--> Pão francês fresquinho com manteiga
--> Cheirinho de terra molhada.
--> Banho de mar
--> Dar três espirros seguidos.
--> Andar Descalça


AS 5 PIORES EXPRESSÕES
--> Obrigada por tudo
--> Desculpe qualquer coisa
--> Deus te pague
--> Pra ser bem honesta
--> Pelo incrivel que pareça


AS 5 MELHORES EXPLICAÇÕES DE ADRIANA FALCÃO
--> Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.
--> Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
--> Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.
--> Paixão é quando apesar da placa “perigo” o desejo vai e entra.
--> Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.


AS 5 MELHORES FRASES DE HOMER SIMPSON
--> Por favor, não me coma! Eu tenho mulher e filhos. Coma eles!
--> Não vamos entrar em pânico: vou conseguir dinheiro vendendo um de meus fígados. Posso viver com um só.
--> A vingança é um prato que se come três vezes ao dia.
--> Eu não bebo água. Os peixes transam nela.
--> A culpa é minha e eu ponho ela em quem eu quizer




OS 5 MELHORES POEMAS CURTOS DE MARTHA MEDEIROS
--> Quando dou pra ti
sou mulher.
Quando dou por mim,
solidão
--> Espelho, espelho meu
existe no mundo alguém
que reflita mais do que eu?
--> O que uma guitarra faz
nenhum rapaz comigo já fez.
--> Mesmo tendo juízo
não faço tudo certo.
Todo paraíso
precisa um pouco de inferno
--> Fica o dito
pelo maldito

AS 5 MELHORES FRASES EM LATIM SELVAGEM PARA O CARNAVAL
--> Urge copulatum ad empacotum est: vai comer aqui ou quer que embrulhe?
--> Caprina sine puditia: cabra sem-vergonha!
--> Orificium beborium proprietarium nulus: c… de bêbado não tem dono.
--> Tridum momescum finutum est: pra tudo se acabar na quarta-feira.
--> Vedi, vini; nulus copulatum: e não comemos ninguém!

segunda-feira, setembro 06, 2010

"PRECISA-SE"

Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilarecerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.
...estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quem ficar como que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio ‘lo que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não a saber como viver, vivi uma outra? A isso quereria chamar desorganização, e teria a segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar: para a organização anterior A isso prefiro chamar desorganização pois não quero não me confirmar no que vivi — na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro.

quinta-feira, agosto 26, 2010

"DESEJO QUE DESEJES"

Eu desejo que desejes ser feliz de um modo possível e rápido, desejo que desejes uma via expressa rumo a realizações não utópicas, mas viáveis, que desejes coisas simples como um suco gelado depois de correr ou um abraço ao chegar em casa, desejo que desejes com discernimento e com alvos bem mirados. Mas desejo também que desejes com audácia, que desejes uns sonhos descabidos e que ao sabê-los impossíveis não os leve em grande consideração, mas os mantenha acesos, livres de frustração, desejes com fantasia e atrevimento, estando alerta para as casualidades e os milagres, para o imponderável da vida, onde os desejos secretos são atendidos.Desejo que desejes trabalhar melhor, que desejes amar com menos amarras, que desejes parar de fumar, que desejes viajar para bem longe e desejes voltar para teu canto, desejo que desejes crescer e que desejes o choro e o silêncio, através deles somos puxados pra dentro, eu desejo que desejes ter a coragem de se enxergar mais nitidamente.Mas desejo também que desejes uma alegria incontida, que desejes mais amigos, e nem precisam ser melhores amigos, basta que sejam bons parceiros de esporte e de mesas de bar, que desejes o bar tanto quanto a igreja, mas que o desejo pelo encontro seja sincero, que desejes escutar as histórias dos outros, que desejes acreditar nelas e desacreditar também, faz parte este ir-e-vir de certezas e incertezas, que desejes não ter tantos desejos concretos, que o desejo maior seja a convivência pacífica com outros que desejam outras coisas.Desejo que desejes alguma mudança, uma mudança que seja necessária e que ela não te pese na alma, mudanças são temidas, mas não há outro combustível pra essa travessia. Desejo que desejes um ano inteiro de muitos meses bem fechados, que nada fique por fazer, e desejo, principalmente, que desejes desejar, que te permitas desejar, pois o desejo é vigoroso e gratuito, o desejo é inocente, não reprima teus pedidos ocultos, desejo que desejes vitórias, romances, diagnósticos favoráveis, aplausos, mais dinheiro e sentimentos vários, mas desejo antes de tudo que desejes, simplesmente."

terça-feira, agosto 24, 2010

é tudo muito complexo

Que saco essa pressão cultural que exige que as mulheres sejam damas e possuam alguem ao seu lado, mulher com 30 anos que nao casou ou nao tem namorado algum defeito tem!!!

Esse padrao sufoca agunia, tudo que é obrigatório é sem sombra de duvidas mais dificil e sem graca, talvez por isso eu tenha resolvido dar um tempo para minha cabeca e para meu coracao e optado ficar só.

Conheço varias amigas que estão ao lado de alguem sem nem saber porque, simplesmente pq assim é melhor, mais comodo, mais tranquilo, é mais facil resolver um problema a dois, dividir fardos, contas ...

Decididamente, pra mim isso nao serve, nao consigo me imaginar ao lado de alguem sem ter mais vontade de estar, simplesmente pela mera acomodacao, ou por exigencias externas.

Já ouvi a barbarie que é melhor casar e divorciar, do que se manter solteira eternamente, meu!!! como alguem consegue pensar em começar algo que envolve sentimento, parceria, conspiracao, com data de validade, sabendo que é apenas uma etapa a ser cumprida????

Sozinha, é possivel ser vc mesma, sem ficar tentando agradar ou se moldar a padroes ou preferencias exigidas por quem esta ao seu lado.

Se eu estiver afim de ficar loira, morena, ruiva, ou cortar o cabelo "joaozinho" eu simplesmente faço, que alivio poder pintar as unhas da cor do esmalte que bem entendo, sem ficar preocupada com criticas ou repreensoes.

Usar aquele decote que todo mundo olha, ou simplesmente sair de pantufa para buscar cigarros, ou usar aquele moletom que me deixa enorme de gorda, sem criticas, simples assim.

O grande problema dos relacionamentos é esse, essa mania de agradar que se torna obrigacao, ta tudo errado.

afinal se alguem se apaixona por vc, é pq vc é como é, mas interessante é que com o passar do tempo vamos nos moldando e passamos a nao ser mais nós mesmos.

Esquecem que nos dias atuais nós temos que aos 30 anos estarmos com uma carreira estruturada, conseguindo pagar nossas contas, ficar ate tarde em reunioes ou cumprindo prazos exigidos pelo nosso trabalho.

E mesmo assim ainda temos que estar magras, lindas arrumadas e com unhas feitas. ainda assim temos que ser a filha presente, a amiga para todas as horas, a namorada perfeita ... aff é muita pressao para o meu gosto.

Ta tudo errado, tudo tao complicado que a melhor opcao no momento é ficar só e tentar entender a si mesma, adaptada em um mundo que esta cada vez mais confuso.

Um mundo onde os amores viraram negocios, transacoes comerciais, na base da mediação, da obrigacao de ceder em prol de outra coisa ou na obrigacao de agradar para evitar atrito....

O não texto

Você não está lendo um texto. Você está dormindo numa rede, atravessando um farol, comprando um porta-clipes, fazendo arroz integral, prendendo os cabelos, assistindo doctor House, vendo sua cachorra espreguiçar. Sei lá, qualquer coisa. Mas você não está lendo esse texto.
Eu também não estou escrevendo pela trigésima vez sobre gostar de alguém. E tentando entender todos os 567 contras e 876 a favor. E tentando metaforizar um cheiro, um olhar, uma frase. E tentando descrever minha dor só para dar a ela algum patamar mais interessante do que a simplicidade de uma simples dor. E tentando supervalorizar minha alegria, só para dar a ela um gosto de vitória como se jamais fosse cotidiano ser feliz.
Eu não estou de frente para uma folha em branco. Tentando tornar meus personagens mais interessante e meus sentimentos mais nobres. Eu estou de frente para eles, vendo que meu personagem pode ser sem graça e meu sentimento pode estar morrendo.
Este é um não texto porque cansei da minha covardia em me contar um mundo que eu invento para viver melhor. Cansei de me contar um personagem só para que suspirar não seja um simples movimento involuntário. Cansei de me contar uma história linda, só para que os dias não corram sem magia e sem a certeza de um grande final de filme.
Imagina só que vida chata se eu, ao invés de escrever um texto de amor, cheio de esperança, profundidade, dor, maluquice, tesão, estivesse escrevendo um texto assim: e ninguém é interessante e eu, pra ser sincera, não gosto de ninguém.
Triste, muito triste. Chato. E pior do que tudo isso: anti-literário. Como é que um escritor vai se sustentar com um coração vazio?
Mas chega. Hoje decidi que estou prestes a assumir meu coração vazio. Não decidi isso movida por uma grande coragem ou por um momento de iluminação. Nada grandioso aconteceu. Apenas sinto que dei um pequeno, quase imperceptível, passo para uma vida mais madura. Eu simplesmente não suporto mais pintar o céu de cor-de-rosa para achar que vale a pena sair da cama.
Não posso mais emprestar mistério ao vazio, vida ao oco, esperança ao defunto, saliva ao seco. Não posso mais emprestar meus desejos para que pessoas se tornem desejáveis. E, finalmente, não posso mais inventar amor só para poder falar dele.
Recebo e-mails de muita gente que me fala “que coragem escrever assim sobre o amor”, “que coragem ir tão fundo na sua dor”, “que coragem sentir tantas coisas a flor da pele”. Mas pelo menos hoje quero me desafiar a fazer algo muito mais difícil. Quero não sentir nada. Quero descansar meu coração de saco cheio das minhas invenções e precisando se preparar para viver algo de verdade.
Como será que é acordar e não esperar nada com o toque do celular, da campainha, do messenger, do e-mail, do ar, do chão? Como será que é sentir e gostar da vida pela sua calmaria e banalidade? Como será que é viver a banalidade sem achar que isso é banal?
Este é um não texto. Pra falar de um não amor. Pra falar de um não homem. Pra falar de uma não fantasia, invenção, personagem. Esse é um texto a favor da vida, pra falar da vida. A vida com seus defeitos, cinzas, brancos, estagnações, paradas, frios, silêncios, amenidades. A vida que pode não acelerar o peito e deixar tudo com estrelinhas de purpurina. Mas que é incrível por ser real.
A vida que não se escreve mas se vive, mesmo que isso, muitas vezes, seja ainda mais difícil que qualquer regra gramatical ou construção literária.
" Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto,
Mesmo quando a situação não for muito alegre...
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz
para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém...
E poder ter a absoluta certeza de que esse alguém
também pensa em mim quando fecha os olhos,
que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas
renúncias e loucuras, alguém me valoriza
pelo que sou, não pelo que tenho...
Que me veja como um ser humano completo,
que abusa demais dos bons sentimentos
que a vida proporciona,
que dê valor ao que realmente importa,
que é meu sentimento...e não brinque com ele."

segunda-feira, agosto 23, 2010

Mulheres do Topo da Arvore

“As Melhores Mulheres pertencem aos homens mais atrevidos. Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim, as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados… Elas têm que esperar um pouco mais para o homem certo chegar… aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore”.

(Machado de Assis)

Manual da Mulher Bem Resolvida

1) Se ele se interessou, ele liga!

É isso mesmo. Quando o cara quer, não tem falta de tempo, projeto importante, morte da tia ou trâsito maluco que o impeça de te convidar para sair.

2) Passou uma semana sem ouvir notícias dele?

Esqueça, parta para outro! Ligar para saber se está tudo bem, nem pensar Homem que está perdido merece ser encontrado morto no apartamento, e pelo zelador do prédio.

3) Vocês saíram e ele não ligou mais.

Foi porque você deu? Ou foi porque você não deu? Na verdade, pouco importa. Se o que ele estava a fim era de sexo, e rolou, ótimo! Sexo é como pizza: é bom até quando é ruim. Mas se você não deu, ele provavelmente não te procurou mais porque achou que ia dar muito trabalho. Ou seja, pare de se atormentar porque transou ou não! Duas lições: dar uma de difícil depois de uma certa idade já era. É ridículo fazer tipo.E, além do mais, você vai se arrepender de ter dado ou de não ter dado.

4) Homem comprometido?

Diga não! A relação dele está em crise, só falta oficializar o fim? Ótimo! Se ele quiser continuar infeliz, dane-se! Senão, ele termina de uma vez e depois te procura. Combinado?

5) Ouviu aquela clássica: “Você é boa demais pra mim!”?

Acredite! é mesmo! Descarte o cidadão e pare de bancar a Madre Tereza de Calcutá.

6) Não tente!

Não dá para namorar um cara pelo qual você não tem um mínimo de admiração.

7) Ele te traiu?

Não continue com um cara que te chifrou, se você não aguentar a onda de ser traída de novo. E olho vivo, se ele já foi infiel com outras. A gente sempre acha que com a gente vai ser diferente. Esqueça! Nunca é! E atenção: a fila anda!

Teste da Cor da Aura

achei um teste bem interessante sobre a cor da aura, pior que o resultado tem tudo a haver por isso achei que valhe a pena publicar rs
é só clicar no link

Segue meu resultado:

DOURADO-PROVEDOR

O maior talento de quem tem a aura dourado-provedor é a capacidade de perceber as necessidades mais profundas dos outros, as quais, por qualquer motivo, não podem ser verbalizadas. Por isso mesmo, o dourado-provedor sente-se mais feliz quando trabalha em grupo. É compassivo, amoroso e generoso. Mentalmente, é muito meticuloso: verifica todos os seus passos, sempre em busca de erros ou omissões. É muito requisitado socialmente, pois costuma alegrar qualquer ambiente em que se encontre. É um admirável parceiro: bom amigo, bom pai (mãe), amante delicado. Sua grande missão na vida é prestar serviços humanitários a seus vizinhos, à sua cidade e país.

quinta-feira, agosto 19, 2010

Opinião da Marília Gabriela sobre a Dilma

Quem tem medo da "doutora" Dilma?

VOU CONFESSAR: Morro de medo de Dilma Rousseff.
Esse governo que tem muitos acertos, mas a roubalheira do governo do PT e o cinismo descarado de LULA em dizer que não sabia de nada nos mete medo.
Não tenho muitos medos na vida, além dos clássicos: de barata, rato, cobra.
Desses bichos tenho mais medo do que de um leão, um tigre ou um urso, mas de gente não costumo ter medo.
Tomara que nunca me aconteça, mas se um dia for assaltada, acho que vai dar para levar um lero com os assaltantes (espero). Não me apavora andar de noite sozinha na rua e, não tenho medo algum das chamadas "autoridades", só um pouquinho da polícia, mas não muito.
Mas de Dilma não tenho medo; tenho pavor !
Antes de ser candidata, nunca se viu a ministra dar um só sorriso, em nenhuma circunstância. Depois que começou a correr o Brasil com o presidente, apesar do seu grave problema de saúde, Dilma não para de rir, como se a vida tivesse se tornado um paraíso.
Mas essa simpatia tardia não convenceu.
Ela é dura mesmo!
Dilma personifica, para mim, aquele pai autoritário de quem os filhos morrem de medo, aquela diretora de escola que, quando se era chamada em seu gabinete, se ia quase fazendo pipi nas calças, de tanto medo.
Não existe em Dilma um só traço de meiguice, doçura, ternura.
Ela tem filhos, deve ter gasto todo o seu estoque com eles e não sobrou nem um pingo para o resto da humanidade. Não estou dizendo que ela seja uma pessoa má, pois não a conheço; mas quando ela levanta a sobrancelha,aponta o dedo e fala, com aquela voz de general da ditadura no quartel, é assustador. E acho muito corajosa a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, que enfrentou a ministra afirmando que as duas tiveram o famoso encontro. Uma diz que sim, a outra diz que não, e não vamos esperar que os funcionários do Palácio do Planalto contrariem o que seus superiores disseram que eles deveriam dizer. Sempre poderá surgir do nada um motorista ou um caseiro, mas não queria estar na pele da suave Lina Vieira. A voz, o olhar e o dedo de Dilma, e a segurança com que ela vocifera "suas verdades", são quase tão apavorantes quanto a voz e o olhar de Collor, quando ele é possuído. Quando se está dizendo a verdade, ministra, não é preciso gritar; nem gritar nem apontar o dedo para ninguém. Isso só faz quem não está com a razão, é elementar. Lembro de quando Regina Duarte foi para a televisão dizer que tinha medo de Lula; Regina foi criticada, sofreu com o PT encarnando em cima dela - e quando o PT resolve encarnar, sai de baixo. Não lembro exatamente de quê Regina disse que tinha medo - nem se explicitou-, mas de uma maneira geral era medo de um possível governo Lula. Demorei um pouco para entender o quanto Regina tinha razão. Hoje estamos numa situação pior, e da qual vai ser difícil sair, pois o PT ocupou toda a máquina, como as tropas de um país que invade outro. Com Dilma seria igual ou pior, mas Deus é grande..

Nem tudo é fácil

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!

O guardador de rebanhos

IX
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

O guardador de rebanhos

II
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo…
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…

O guardador de rebanhos

III
Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.
Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas cousas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos…
Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros…

O guardador de rebanhos

IV
Esta tarde a trovoada caiu
Pelas encostas do céu abaixo
Como um pedregulho enorme…
Como alguém que duma janela alta
Sacode uma toalha de mesa,
E as migalhas, por caírem todas juntas,
Fazem algum barulho ao cair,
A chuva chovia do céu
E enegreceu os caminhos…
Quando os relâmpagos sacudiam o ar
E abanavam o espaço
Como uma grande cabeça que diz que não,
Não sei porquê — eu não tinha medo —
Pus-me a rezar a Santa Bárbara
Como se eu fosse a velha tia de alguém…
Ah! é que rezando a Santa Bárbara
Eu sentia-me ainda mais simples
Do que julgo que sou…
Sentia-me familiar e caseiro
E tendo passado a vida
Tranquilamente, como o muro do quintal;
Tendo ideias e sentimentos por os ter
Como uma flor tem perfume e cor…
Sentia-me alguém que possa acreditar em Santa Bárbara…
Ah, poder crer em Santa Bárbara!
(Quem crê que há Santa Bárbara,
Julgará que ela é gente e visível
Ou que julgará dela?)
(Que artifício! Que sabem
As flores, as árvores, os rebanhos,
De Santa Bárbara?… Um ramo de árvore,
Se pensasse, nunca podia
Construir santos nem anjos…
Poderia julgar que o sol
É Deus, e que a trovoada
É uma quantidade de gente
Zangada por cima de nós…
Ali, como os mais simples dos homens
São doentes e confusos e estúpidos
Ao pé da clara simplicidade
E saúde em existir
Das árvores e das plantas!)
E eu, pensando em tudo isto,
Fiquei outra vez menos feliz…
Fiquei sombrio e adoecido e soturno
Como um dia em que todo o dia a trovoada ameaça
E nem sequer de noite chega…

O guardador de rebanhos

V
(...)
Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
(...)
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendome,
Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
(...)
E por isso eu obedeçolhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeçolhe
a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamolhe
luar e sol e flores e árvores e montes,
E amoo
sem pensar nele,
E pensoo
vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora. (p. 3941)


VI
Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...
Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amarnosá
fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E darnosá
verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos!... (p. 42)

O guardador de rebanhos

VIII


Num meio-dia de fim de primavera, tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte, tornado outra vez menino,
a correr e rolar-se pela erva e arrancar flores para as deitar fora,
e a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso de mais para fingir-se de segunda pessoa da Trindade
(...)
Um dia em que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar, ele foi a caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro, fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo, criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro, criou um Cristo eternamente na cruz e o deixou pregado na cruz que há no céu e serve de modelo às outras.
Depois, fugiu para o sol e desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje, vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita, de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba frutas dos pomares,
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam,
E que toda gente acha graça,
Corre atrás das raparigas que vão em ranchos pelas estradas,
com as bilhas às cabeças e levanta-lhes as saias.

A mim, ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
aponta-me todas as coisas há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem nas mãos
E olha devagar para elas.

(...)


...................................................................................

Ele mora comigo na minha casa, ao meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano, que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso, que eu sei com toda certeza,
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana, que é divina,
É esta minha cotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo, que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo,
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando, e rindo, e gozando nosso segredo comum que é o de saber por toda parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar, é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro,
Na companhia de tudo,
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois,
Como um acordo intimo,
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer, brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois, eu conto-lhe histórias de coisas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam no fundo do mar dos altos mares.
Porque ele sabe que a tudo isso, falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
W que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer os olhos e os muros caiados.

Depois ele adormece, e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas pro ar,
Põe uns em cima dos outros,
E bate as palmas sozinho,
Sorrindo para o meu sono.

...................................................................................

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa,
Despe-me meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
que tu sabes qual é.

...................................................................................

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

Símbolos

Símbolos? Estou farto de símbolos...
Mas dizem-me que tudo é símbolo,
Todos me dizem nada.
Quais símbolos? Sonhos.
Que o sol seja um símbolo, está bem...
Que a lua seja um símbolo, está bem...
Que a terra seja um símbolo, está bem...
Mas quem repara no sol senão quando a chuva cessa,
E ele rompe as nuvens e aponta para trás das costas,
Para o azul do céu?
Mas quem repara na lua senão para achar
Bela a luz que ela espalha, e não bem ela?
Mas quem repara na terra, que é o que pisa?
Chama terra aos campos, às árvores, aos montes,
Por uma diminuição instintiva,
Porque o mar também é terra...
Bem, vá, que tudo isso seja símbolo...
Mas que símbolo é, não o sol, não a lua, não a terra,
Mas neste poente precoce e azulando-se
O sol entre farrapos finos de nuvens,
Enquanto a lua é já vista, mística, no outro lado,
E o que fica da luz do dia
Doura a cabeça da costureira que pára vagamente à esquina
Onde se demorava outrora com o namorado que a deixou?
Símbolos? Não quero símbolos...
Queria — pobre figura de miséria e desamparo! —Que o namorado voltasse para a costureira

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei.

Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei.

De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê, quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo, torno-me eles e não eu.

Cada meu sonho ou desejo é do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, diverso, móbil e só,

Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo como páginas, meu ser.

O que segue não prevendo,

O que passou a esquecer.

Noto à margem do que li o que julguei que senti.

Releio e digo : "Fui eu ?" Deus sabe, porque o escreveu.

Para Viver um Grande Amor

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.


Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.

terça-feira, agosto 17, 2010

*ÁRIES* (de 21 de março a 20 de abril)

Branca, preta ou amarela
A ariana zela.
Tem caráter dominador
Mas pode ser convencida
E aí, então, fica uma flor:
Cordata... E nada convencida.
Porque o seu denominador
É o amor.

*TOURO* (de 21 de abril a 20 de maio)

O que é que brilha sem
Ser ouro? - A mulher de touro!
É a companheira perfeita
Quando levanta ou quando deita.
Mas é mulher exclusivista
Se não tem tudo faz a pista.
Depois que dona de casa...
E a noite ainda manda brasa.
Sua virtude: a paciência
Seu dia bom: a sexta-feira
Sua cor propícia: o verde
As flores dos seus pendores:
Rosa, flor de macieira.

*GÊMEOS* (de 21 de maio a 20 de junho)

A mulher de gêmeos
Não sabe o que quer
Mas tirante isso
É uma boa mulher.
A mulher de gêmeos
Não sabe o que diz
Mas tirante isso
Faz o homem feliz.
A mulher de gêmeos
Não sabe o que faz
Mas por isso mesmo
É boa demais...

*CÂNCER* (de 21 de junho a 21 de julho)

Você nunca avance
Em uma mulher de câncer.
Seu planeta é a lua
E a lua, é sabido,
Só vive na sua.
É muito apegada
E quando pegada
Pega da pesada.
É a mulher que ama
Com muito saber
No tocante à cama
Não sei lhe dizer...

*LEÃO* (de 22 de julho a 22 de agosto)

A mulher de leão
Brilha na escuridão.
A mulher de leão, mesmo sem fome
Pega, mata e come.
A mulher de leão não tem perdão.
As mulheres de leão
Leoas são.
Poeta, operário, capitão
Cuidado com a mulher de leão!
São ciumentas e antagônicas
Solares e dominicais
Ígneas, áureas e sardônicas
E muito, muito liberais

*VIRGEM* (de 23 de agosto a 22 de setembro)

Se Florence Nightingale era Virgem
Não sei... Mas o mal é de origem.
A mulher de virgem aceita a amante
Isto é: desde que não a suplante.
Sexo de consumo, pães-de-minuto
Nada disso lhe há de faltar
O condomínio é absoluto
A virgem é mulher do lar.
Opala, safira, turquesa
São suas pedras astrais
Na cuca muita esperteza
Na existência muita paz.

*LIBRA* (de 23 de setembro a 22 de (outubro)

A mulher de libra
Não tem muita fibra
Mas vibra.
Quer ver uma libriana contente?
Dê-lhe um presente.
Quando o marido a trai
A mulher de libra
balanças, mas não cai.
Se você a paparica
Ela fica.
Com librium ou sem librium
Salve, venusina
Que guarda o equilíbrio
Na corda mais fina.

*ESCORPIÃO* (de 23 de outubro a 21 de novembro

Mulher de escorpião
Comigo não!
É Abelha Mestra
É a Viúva Negra
Só vai de vedete
Nunca de extra.
Cria o chamado conflito
de personalidades.
É mãe tirana
Mulher tirana
Irmã tirana
Filha tirana
Neta tirana
tirana tirana.
Agora, de cama diz
que é boa paca.

*SAGITÁRIO* (de 22 de novembro a 21 de dezembro)

As mulheres sagitarianas
São abnegadas e bacanas
Mas não lhe venham com grossuras
Nem injustiças ou censuras
Porque ela custa mas se esquenta
E pode ser muito violenta.
Aí, o homem que se cuide...
- Também, quem gosta de censura!

*CAPRICÓRNIO* (de 22 de dezembro a 20 de janeiro)

A capricorniana é capricornial
Como a cabra de João Cabral.
Eu amo a mulher de capricórnio
Por que ela nunca lhe põe os próprios.
A caprina é tão ciumenta
Que até o ciúmes ela inventa.
Mulher fiel está aí: é cabra
Só que com muito abracadabra.
Suas flores: a papoula e o cânhamo
De onde vem o ópio e a maconha
Ela é uma curtição medonha
Por isso nos capricorniamos.

*AQUÁRIO * (de 21 de janeiro a 19 de fevereiro)

Se o que se quer é a boa esposa
A aquariana pousa.
Se o que se quer é uma outra coisa
A aquariana ousa.
Se o que se quer é muito amor
A aquariana
É a mulher macho sim senhor.
Porém não são possessivas
Nem procuram dominar
Ou são meigas e passivas
Ou botam para quebrar.

*PEIXES* (de 20 de fevereiro a 20 de março)

Mulher de Peixe... peixe é
Em águas paradas não dá pé
Porque desliza como a enguia
Sempre que entra numa fria.
Na superfície é sinhazinha
E festiva como a sardinha
Mas quando fisga um namorado
Ele está frito, escabechado.
É uma mulher tão envolvente
Que na questão do Paraíso
Há quem suspeite seriamente
Que ela era a mulher e a serpente.
Seu Id: aparentar juízo
Seu Ego: a omissão, o orgulho
Sua pedra astral: a ametista
Seu bem: nunca ser bagulho
Sua cor: o amarelo brilhante
Seu fim: dar sempre na vista.

Humildade

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.”
Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.
(Memórias de Minhas Putas Tristes - Pg. 74)

Quintana por Quintana

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.
Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não astava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.

POEMINHA SENTIMENTAL

O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.

O que se leva da vida é a vida que agente leva

Ando meio sem inspiração para escrever, talvez sejam minhas novas madeixas loiras, sabe como é o efeito da amônia nos neuronios rs, entao resolvi publicar o texto roubado do blog da minha prima, mesmo pq a experiencia nao muito agradavel foi compartilhada, achei interessante, pois o ponto de vista é similar, portanto é o que se segue:


Durante minhas férias, passei por uma experiência nada boa, fui assaltada. Levaram tudo que eu tinha, ou melhor, eu achava que só tinha aquilo, que só aquilo tinha valor. Netbook, câmera, celular, pares de tênis, dinheiro, etc. Coisas que a gente pensa que não pode viver sem. Eu também pensava assim, até receber uma visita. A morte veio me visitar, e ficou sentada perto de mim e da minha família enquanto bandidos miravam suas armas em nossas cabeças. Ela tentou chegar perto dos gatilhos, eu sei. Algo a impediu, algo sobrenatural, algo maior que tudo. E assim, após de duas horas e meia de desespero, e choros sufocados para não comprometer a vida de ninguém, a morte resolveu ir embora. E levou com ela um sentimento, o materialismo.
De uma certa forma, os dias após esse acontecimento foram uns dos melhores da minha vida. Admito que chorei, como nunca, mas foi de felicidade, ou de agradecimento. Olhar o sol se pondo, mais um dia, escutar uma música bonita, sentir o vento batendo no rosto, não tem coisa melhor no mundo. É uma sensação estranha, é meio que inacreditável, mas eu poderia estar morta, eu poderia não poder mais sentir tudo o que eu estou sentindo. E lembrar de cada momento de desespero, cada objeto sendo roubado, já não importa tanto. Eles levaram tantas coisas que eu não precisava, que não eram necessárias pra sobrevivência. E o que tinha de mais valor naquela casa eles não levaram, as nossas vidas.
Portanto, eu não quero mais esperar que algo desse tipo aconteça de novo pra viver, pra sentir, pra aproveitar. Da próxima vez pode não ser um aviso, e eu vá mesmo. E depois vai ser tarde demais pra me arrepender, e querer viver. A vida passa depressa, e você sempre pensa que não vai ser com você, que você vai viver 100 anos, e vai morrer dormindo de velhice. A vida não é assim, o que a gente escolhe não é sempre o que acontece.

segunda-feira, agosto 09, 2010

In Vino Veritas

A primeira bebida (alcoólica!) do homem, ainda adolescente, é a cerveja. É barato e fraquinha. Depois vem o chope. Se você tem mais de 50, passou pela Cuba Libre (Coca-Cola com rum) e pelo Hi-Fi (Crush com vodka), numa época embalada por boleros e baladas. Besame Mucho e me paga um Cuba, tesão?

O uísque vem logo depois. Ainda na universidade é nacional mesmo, pela falta de grana. Mas depois vai se sofisticando para o escocês. E, quem pode, começa a pedir por 8, doze anos.

Mais idosinho, tem uns que caem no gim logo pela manhã, perigosíssimo. E quem quer beber escondido da mulher toma vodka porque não deixa cheiro.

A esta altura o homem, bebendo há quarenta anos, tomou (por baixo) 2.080 litros de álcool puro. Uma piscina, o tamanho do porre. É quando ele começa a sentir o fígado dando alarme e inicia o processo de volta aos fermentados e descobre o vinho. Dizem os médicos (pelo menos os médicos que bebem) que um copo de vinho por dia faz bem à saúde. Quem sou eu para duvidar?

O vinho é a cerveja da terceira idade (dizem que na quarta, volta a ser a cachaça pura) e o sujeito se torna um sofisticado. Todo mundo que toma vinho fica metido a besta. Metido a entender de regiões, de safras, de anos e até mesmo de rolhas. Ninguém toma um vinho impunemente. Há de se tornar um expert em uvas. O fígado agradece. Em viagens para a Europa começa a fazer circuitos de vinhos, vira um degustador, um homem fino.

O que eu não consigo entender é porque os jovens já não começam pelo vinho e ficam nele a vida toda. Talvez seja porque o jovem queira ficar de barato rapidinho. É preciso encher muito a cara para descobrir os prazeres do vinho, depois de quarenta anos de adegas da vida.

Estou falando de vinho tinto, é claro, porque o branco é coisa só para vernissage e noite de autógrafos. E o rosê, bem o rosê é coisa de viado mesmo.

terça-feira, julho 27, 2010

Pensar demais faz mal

Tem horas que me pergunto:
Por que não viemos um botão de liga e desliga acoplado a nosso cérebro?
Por que esse infeliz, teima em funcionar quando não poderia funcionar ? Ou pelo menos não deveria funcionar?
O filho da mãe teima em continuar ali, perguntando, divagando, filosofando, analisando prós e contras ....
Percebo que a única forma de sermos autênticos e até mais fortes é quando o nosso cérebro fica mais lento, em ocasiões onde ele não consegue tomar a proporção do que realmente esta acontecendo.
Nesses raros instantes conseguimos trazer a tona tudo o que realmente esta guardado em nosso ser, seja sentimental, instintivamente ou espiritualmente.
A maior prova disso são os momentos de pânico onde a pessoa passa a agir por instinto e não racionaliza as atitudes a serem tomadas passando a reagir por simples necessidade de sobrevivência, seja sua ou das pessoas diretamente ligadas a si.
Nesses momentos é possível visualizar que muito da capacidade humana é diminuída pela sua racionalidade, pessoas são capazes de superações incríveis, apenas por não terem pensando se eram ou não capazes.
Casos como pessoas que ficam dias soterradas sem alimentação que acabam sobrevivendo, pela ausência de percepção temporal, ou seja, não sabem a quanto tempo estão ali e sobrevivem, pois não passa pelas suas cabeças a idéia de que já estão a mais tempo naquela condição do que lhe seria possível suportar.
Todos os nossos medos são racionais, todas as nossas inseguranças são racionais ...
E as doenças psicossomáticas entao??? A sua origem esta apenas na racionalização do medo de estar doente. Nesse caso atire a primeira pedra a mulher que nunca teve seu ciclo mestrual atrazado pelo simples medo de estar grávida.
As próprias lavagens cerebrais só possuem exito pelo excesso de pensamento da vitima em relação ao que foi dito pelo manipulador, pois se a vitima nao pensasse nao teria nenhuma influencia.
Até sentimentalmente agente sofre pq?? porque pensa demais em relacao ao que acha que esta sentindo e na verdade esta apenas pensando, se nao pensasse nao sofria.
Pensar demais realmente é uma capacidade estranha do ser humano, capaz até de fazer com que alguem sente-se e escreva algo a respeito disso, sem conseguir sequer entender onde queria chegar. E porque escreveu?? porque pensou demais ...
É decididamente pensar demais faz mal!

Sindrome de Estocolmo

As pessoas que sofrem de síndrome de Estocolmo terminam por se identificar e até mesmo por gostar daqueles que os seqüestram, em um gesto desesperado e em geral inconsciente de preservação pessoal. O problema costuma surgir na maioria das situações psicologicamente traumáticas, como casos que envolvem seqüestro ou tomada de reféns, e em geral esses efeitos não se encerram com o final da crise. Na maioria dos casos clássicos, as vítimas continuam a defender e a gostar de seus raptores mesmo depois de escapar do cativeiro. Sintomas da síndrome de Estocolmo também foram identificados no relacionamento entre senhor e escravo, em casos de cônjuges agredidos e em membros de cultos destrutivos.


Muita gente faz idéia razoável do significado do termo síndrome de Estocolmo tomando por base sua origem. Em 1973, dois homens invadiram o Kreditbanken em Estocolmo, Suécia, com a intenção de roubá-lo. Quando a polícia chegou ao local, os assaltantes trocaram tiros com os policiais, e em seguida fizeram reféns. A situação perdurou por seis dias, com os dois assaltantes armados mantendo quatro reféns em um cofre do banco, durante parte do tempo com explosivos presos ao corpo e em outros momentos com cordas em torno dos pescoços. Quando a polícia tentou resgatar os reféns, foi impedida por eles mesmos; os reféns repeliram o ataque dos policiais, e atribuíram a culpa pela situação à polícia e não aos raptores. Um dos reféns libertados criou um fundo para cobrir os custos da defesa judicial dos raptores. Assim nasceu a "síndrome de Estocolmo", e psicólogos de todas as partes do mundo passaram a dispor de um termo para definir esse clássico fenômeno do relacionamento entre raptor e prisioneiro.

A fim de que a síndrome de Estocolmo possa ocorrer em qualquer situação, pelo menos três traços devem estar presentes:

* uma relação de severo desequilíbrio de poder na qual o raptor dita aquilo que o prisioneiro pode e não pode fazer;
* a ameaça de morte ou danos físicos ao prisioneiros por parte do raptor;
* um instinto de autopreservação de parte do prisioneiro.

Parte desses traços é a crença (correta ou incorreta) do prisioneiro quanto à impossibilidade de fuga, o que significa que a sobrevivência precisa ocorrer nos termos das regras impostas pelo raptor todo-poderoso; e o isolamento do prisioneiro com relação a pessoas não cativas, o que impede que a visão externa quanto aos seqüestradores interfira com os processos psicológicos que geram a síndrome de Estocolmo. Da maneira mais básica e generalizada, o processo, tal qual visto em uma situação de seqüestro ou reféns, transcorre mais ou menos assim:

1. em um evento traumático e extraordinariamente estressante, uma pessoa se vê prisioneira de um homem que a ameaça de morte caso desobedeça. A pessoa pode sofrer abusos - físicos, sexuais e/ou verbais - e enfrentar dificuldade para pensar direito. De acordo com o raptor, escapar é impossível. A pessoa terminará morta. Sua família também pode morrer. A única chance de sobreviver é a obediência;

2. com o passar do tempo, a obediência, por si, pode se tornar algo menos seguro - já que o raptor também sofre estresse, e uma mudança em seu humor poderia representar conseqüências desagradáveis para o prisioneiro. Compreender o que poderia deflagrar atos de violência de parte do raptor, para evitar esse tipo de atitude, se torna uma segunda estratégia de sobrevivência. Com isso, a pessoa aprende a conhecer quem a capturou;

3. um simples gesto de gentileza de parte do raptor, que pode se limitar simplesmente ao fato de ainda não ter matado o prisioneiro, posiciona o raptor como salvador do prisioneiro, como alguém "em última análise bom", para mencionar a famosa caracterização, pela jovem Anne Frank, dos nazistas que por fim a levaram à morte. Nas circunstâncias traumáticas e ameaçadoras que o prisioneiro enfrenta, o menor gesto de gentileza - ou a súbita ausência de violência - parece um ato de amizade em um mundo de outra forma hostil e aterrorizante, e o prisioneiro se apega a ele com grande fervor;

4. o raptor lentamente começa a parecer menos ameaçador - mais um instrumento de sobrevivência e proteção do que de dano. O prisioneiro sofre daquilo que alguns definem como uma ilusão auto-imposta: a fim de sobreviver psicológica, além de fisicamente, e a fim de reduzir o inimaginável estresse de sua situação, o prisioneiro vem a acreditar verdadeiramente que o raptor é seu amigo, que não o matará, e que de fato ambos podem se ajudar mutuamente a "sair dessa encrenca". As pessoas do lado de fora que se esforçam por resgatar o prisioneiro parecem-lhe menos aliados, porque querem ferir a pessoa que o protege contra todos os males. O fato de que a pessoa em questão seja ela mesma a potencial origem desses males termina ignorada em meio ao processo de auto-ilusão.

terça-feira, julho 13, 2010

Códigos de Segurança

Eu sempre fui uma pessoa com pouca coordenação motora, praticamente nenhuma para ser mais específica, admito que não possuo a postura de uma dama com seu andar delicado, ou os ombros erguidos que demonstram classe ou qualquer coisa do gênero. Vivo trombando em móveis , tropeçando, derrubando coisas, se a montagem de uma pessoa é feita em um Buffet...
Decididamente, coordenação era algo que estava em falta no dia em que me montaram.
Porém, de uns tempos para cá, a coisa tem piorado significativamente, meu jeito estabanado esta dando margem a um outro grande problema:
A incapacidade de acertar os códigos de segurança da internet.
Cada vez que um dito cujo desses aparece é uma lastima, no mínimo 4 tentativas até o acerto, dizem que tais códigos foram criados para confirmar se quem esta acessando o sistema é realmente uma pessoa ... será que não sou uma pessoa!?!? (risos)
O que mais me irrita é que não vejo ninguém reclamar do assunto, parece que quando um problema é comum aos demais, ele se torna menor, fui inclusive procurar em sites de relacionamento comunidades relacionadas, para ver se não estou sozinha no mundo.
E definitivamente descubrir se o problema são os códigos ou eu e ...
PASMEM... NENHUMAAAAAA!!!

Eu não sou cachorro (de Pavlov) não

Se meu coração não se emociona mais, fiquei me perguntando o que eu estava fazendo ali.
Se não sonho mais, não planejo mais, não desejo mais, não espero mais nada, o que eu estava fazendo ali?
Não te amo mais, queria dizer a ele, pela primeira vez, sem esperar que ele sofresse com isso. Sempre quis que ele sofresse com o dia em que eu não o amasse mais. Mas justamente porque eu não o amo mais, nem quero mais que ele sofra. Aliás, não quero mais nada. Só ir embora.
Eu só queria ir embora. Então, por que eu simplesmente não ia embora? Por que eu continuava obedecendo os comandos do meu ex-dono, sendo que ele não é mais dono nem do meu dedinho do pé que tem a unha mais curta?
Claro que sobrou um carinho, uma amizade, uma graça. O mesmo que tenho pelo resto da humanidade que julgo digno de alguns minutos do meu tempo. Mas tudo aquilo, meu Deus, tudo aquilo que era maior do que eu mesma, maior do que o mundo, que me soterrava, que me transportava pra outra realidade, que fazia meu corpo inteiro doer tanto de tanto sangue inchado que passava por ele, tudo aquilo, nossa, acabou. Já era. Então, por quê? Porque eu não dizia simplesmente que tinha ido lá rapidinho pra saber como estavam as coisas, coisas que amigos fazem, e vazava? Por que raios eu não ia embora?
Quero namorar esse homem? Não. Quero casar, ter filhos, envelhecer ao lado dele? Não mais. Nunca mais. Quero transar com ele, ainda que daquele jeito errado em que minha solidão procura um abraço e a solidão dele procura uma sacanagem? Não. Nem a pau. Quero reviver uma memória pra me sentir viva, emprestar uma alegria pura do passado? Não, tô fora de continuar sempre no mesmo lugar, me roubando minhas próprias histórias.
Quero lamentar a falta de um beijo inteiro, um abraço de verdade, um carinho sem medo e uma atenção entregue sem nenhum egoísmo? Não. Não quero mais mudar ou fantasiar ninguém. Deixa o mundo ser como é. Deixa ele ser como ele é.
O que eu queria, que era jogar uma conversa fora com uma pessoa que me conhece tão bem e que eu conheço tão bem e essas coisas, eu já tinha conseguido. Matar o tempo, rir da alma. E só. Coisa de no máximo uma hora, ou duas se eu pudesse beber vinho. Eu já podia ir embora. Mas não conseguia. Por quê?
Quando ele finalmente parou de falar e querer coisas como uma criança de cinco anos que ta pouco se lixando se você tem ou não como lhe dar aquelas coisas e se lhe dar aquelas coisas vai ou não complicar sua vida, o silêncio me contou um segredo que há muito tempo eu já desconfiava: a mente é burra.
Minha mente é burra. Quando minha mãe grita, mesmo ela sendo uma senhorinha fofa e eu tendo o dobro do tamanho dela, sinto um medo absurdo, como se eu ainda fosse aquele menininha de maria-chiquinha. É o sininho do Pavlov, que fazia o cachorro babar por comida mesmo que não estivesse mais com fome. A mente é automática, viciada, comandada, acostumada, burra.
Quando entro no avião pra ir pro Rio de Janeiro, mesmo eu tendo quase trinta anos nas costas e milhas de graça pra ir pra Nova Zelândia de tanto que já fui ao Rio, minha mente está congelada na menina de maria-chiquinha, que tinha medo de ficar longe da mãe, ainda que morresse de medo dos gritos dela. E de novo sinto um medo filho da puta.
E é por isso que quando ele, a pessoa que eu mais amei no mundo pois amei sem os bloqueios e sem a amargura que veio depois de tanto amor, me pede pra ficar, eu fico. Se alguma química idiota do meu cérebro obedeceu aquela voz por anos, por que haveria de parar de obedecer agora só porque o resto todo do corpo já não sente mais nada?
Mas ontem, quando finalmente peguei minha bolsa e fui embora e senti um alivio imenso de sair dali, eu combinei com a minha mente que ela não manda mais porra nenhuma. Chega de ser comandada pela parte mais “xucra” e sem alma da minha existência. Chega.
Quem manda aqui é o mesmo peito que me jogou pra fora daquela casa e daquela situação que sempre só me fez tanto mal e só me levou coisas tão bonitas.
Não quero mais as minhas repetições seguras e infelizes. Ainda que encarar um coração vazio seja mais assustador do que mãe brava, cidades estranhas e amores eternos que acabam.

Simplicidade

Acho a maior graça. Tomate previne isso,cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me
embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo,
faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir
desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!

CRÔNICA LÚCIDA

Para meus amigos que estão...SOLTEIROS
O amor é como uma borboleta. Por mais que tente pegá-la, ela fugirá.
Mas quando menos esperar, ela está ali do seu lado.
O amor pode te fazer feliz, mas às vezes também pode te ferir.
Mas o amor será especial apenas quando você tiver o objetivo de se dar somente a um alguém que seja realmente valioso. Por isso, aproveite o tempo livre para escolher .

Para meus amigos...NÃO SOLTEIROS
Amor não é se envolver com a "pessoa perfeita", aquela dos nossos sonhos.
Não existem príncipes nem princesas.
Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos.
O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.

Para meus amigos que gostam de...PAQUERAR
Nunca diga "te amo" se não te interessa.
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.
Nunca toque numa vida, se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém, se não quiser vê-lo derramar em lágrimas por causa de ti.

A COISA MAIS CRUEL QUE ALGUÉM PODE FAZER É PERMITIR QUE ALGUÉM SE APAIXONE POR VOCÊ, QUANDO VOCÊ NÃO PRETENDE FAZER O MESMO.

Para meus amigos...CASADOS.
O amor não te faz dizer "a culpa é", mas te faz dizer "me perdoe".
Compreender o outro, tentar sentir a diferença, se colocar no seu lugar.
Diz o ditado que um casal feliz é aquele feito de dois bons perdoadores.
A verdadeira medida de compatibilidade não são os anos que passaram juntos;
mas sim o quanto nesses anos vocês foram bons um para o outro.

Para meus amigos que têm um CORAÇÃO PARTIDO
Um coração assim dura o tempo que você deseje que ele dure, e ele lastimará o tempo que você permitir.
Um coração partido sente saudades, imagina como seria bom, mas não permita que ele chore para sempre.
Permita-se rir e conhecer outros corações.
Aprenda a viver, aprenda a amar as pessoas com solidariedade, aprenda a fazer coisas boas, aprenda a ajudar os outros, aprenda a viver sua própria vida.

A DOR DE UM CORAÇÃO PARTIDO É INEVITÁVEL, MAS O SOFRIMENTO É OPCIONAL!
E LEMBRE-SE: É MELHOR VER ALGUÉM QUE VOCÊ AMA FELIZ COM OUTRA PESSOA, DO QUE VÊ-LA INFELIZ AO SEU LADO.

Para meus amigos que são...INOCENTES.
Ela(e) se apaixonou por ti, e você não teve culpa, é verdade.
Mas pense que poderia ter acontecido com você. Seja sincero, mas não seja duro; não alimente esperanças, mas não seja crítico; você não precisa ser namorado(a), mas pode descobrir que ela(e) é uma ótima pessoa e pode vir a se tornar uma(um) grande amiga(o).

Para meus amigos que tem MEDO DE TERMINAR.
As vezes é duro terminar com alguém, e isso dói em você.
Mas dói muito mais quando alguém rompe contigo, não é verdade?
Mas o amor também dói muito quando ele não sabe o que você sente.
Não engane tal pessoa, não seja grosso(a) e rude esperando que ela(e) adivinhe o que você quer.
Não a (o) force terminar contigo, pois a melhor forma de ser respeitado é respeitando.

Pra terminar ...

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata....
Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como o "bonzinho" não é bom . .
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...
Enfim...
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para dizer tudo o que tem que ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutar para realizar todas as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.

A TRISTEZA PERMITIDA

Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.