quinta-feira, março 03, 2011

FEMINISMO ÀS AVESSAS.

A mais importante líder e intelectual feminista do mundo, Gloria Steinem, em entrevista à revista República, disse uma frase que resume o futuro do feminismo no próximo milênio: "Progredimos muito em convencer a população de que as mulheres podem fazer o que os homens fazem, mas ainda nem começamos a demonstrar que os homens podem fazer o que as mulheres fazem". É uma idéia que sempre me rondou. As mulheres já conquistaram sua posição no mercado de trabalho e isso é um caminho sem volta. Através da independência financeira e da auto-estima conquistada, alteraram-se as relações familiares, a vida sexual, as leis e até mesmo alguns valores religiosos. A mulher veio para mudar, e mudou. Muito. Mas não tudo. Ela trabalha fora, mas continua trabalhando dentro, e sozinha. Haverá igualdade plena no próximo milênio? Cabe aos homens responder. Algum tempo atrás escrevi que a maternidade e a vida doméstica eram as vantagens do homem sobre a mulher, e são. Enquanto as mulheres monopolizarem a criação de filhos e a administração da casa, estarão sempre com dois corações em seu ambiente profissional. Alguns poucos casais já compreenderam isso e dividem, sim, as idas ao super e à cozinha, as reuniões na escola e as consultas ao pediatra, a arrumação da cama e a lavagem de louça. Está provado: assim como as mulheres podem fazer o que os homens fazem, sendo policiais, pilotos de boeing e garis, os homens também podem fazer o que as mulheres fazem. Resta saber se eles querem. Para as mulheres sempre foi vantagem executar um trabalho dito masculino: era a maneira de ter autonomia financeira e vida inteligente além das quatro paredes de casa. Porém, aos homens parecem menos visíveis as vantagens de repartir as tarefas domésticas, mesmo elas não sendo poucas: conviver mais com os filhos, não sentir-se apenas um provedor e ter uma vida menos estressante. A saída é educar os garotos que estão nascendo hoje para que, ao tornarem-se adultos, construam relações afetivas com comunhão de responsabilidades. Só assim o próximo milênio não será a era das supermulheres, e sim dos supercasais.

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