Se uma das broncas clássicas e recentes das mulheres era o tal do telefonema do dia seguinte, na última década o problema degringolou geral. Agora é o scrap da meia hora depois, o emoticon simultâneo, o post à queimaroupa, o torpedo do minuto seguinte…
A dona Maria da ansiedade, essa maluca arrepiada que nos acompanha o dia inteiro e ainda dorme ao nosso lado -quando nos deixa dormir direito, claro-, ganhou uma velocidade que mais parece filme de ficção cinetífica.
Coitado do sr. Graham Bell, o inventor do telefone, que ainda no século 19 achava que iria deixar todo mundo pirado e inquieto com o seu brinquedinho. Mal sabia o ritmo que ganharia nossa inquietação nos anos 00, com a vingança do mundo em sua versão mais nerd.
Eis uma das grandes lições da década. E quando junta essa ansiedade a mil com a paixão, que naturalmente já é um sentimento de emergência que só anda de ambulância -e na contramão-, aí é que desparafusa geral o cocuruto.
É, amiga, sem falar na velocidade do sexo virtual, que também entra nas grandes lições da banda larga. Em cinco munitos a coisa ferve, cheira, sai fumaça e você mata a fome em uma espécie de miojo sentimental digno e sintomático dos nossos tempos e vontades instantâneas.
Para os rapazes, então, mestres antigos na arte do gozo precoce e da falta de atenção, mal levanta a fervura e jáera, partem para a próxima emoção express.
O melhor de tudo é que você, garota esperta, virou o jogo contra o marchismo, outra grande lição recente da história, e aprendeu a deixar esses marmanjos literalmente na mão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário