segunda-feira, julho 12, 2010

Que Vazio é esse????



Tem horas que sinto vontade de gritar, sair correndo pelada pela rua ... mas eu não seria capaz de fazer  isso (valores morais e sociais me impedem)
Mesmo assim, se eu tivesse a certeza que funcionaria, eu faria ah! se faria (não esta descartada a idéia de procurar uma praia de naturismo e tentar por em pratica a idéia)
Que tal  simplesmente ir para balada, tomar um porre e me sentir desejada por olhos que talvez nunca encontrarão com os meus, e se encontrarem será apenas por um ou dois encontros, pois quem em uma balada esta disposto a encontrar um amor para a vida toda.
Mas também quem disse que eu quero um amor para a vida toda?
Passada a euforia, percebo que nada disso é capaz de preencher o imenso vazio que me atormenta, não digo que sinta falta de amor, pois me sinto até amada demais ...
A prima querida ...  A filha única  ...  A queridinha da vovó ... A amiga presente ...  A ex namorada ... O ex grande amor, são tantos títulos que atormentam a minha cabeça e que de certa forma como diria Fernando Pessoa me sufocam pois o amor nos aprisiona.
Talvez meu problema seja o excesso de amor e não a falta ....
Seria falta de sexo?? Acredito que não mesmo porque modéstia a parte eis um problema fácil de ser solucionado, mas a experiência me mostra que depois dele o vazio aumenta,e  a ressaca moral  não há ENGOV que cure ...
Falta de Deus?? Nãooo!!!!!!!!! definitivamente nãoooo!!!!!!!, rezo todos os dias pratico o bem procuro o crescimento espiritual ... Não!!! não é esse o problema
Então que vazio é esse que me atormenta? que falta é essa incapaz de ser suprida? Não sei definitivamente não sei ...
Sinto falta de longas conversas de papos intermináveis com cunho sentimentalista e filosófico, talvez meu erro tenha sido tentar ser inteligente ou então pior achar que sou inteligente, ressalte-se que neste momento cultura e inteligência são sinônimas.
Mas o triste mesmo é possuir tanto para dividir e não conseguir achar alguém disposto a somar

De pedra

Desse ângulo que estou agora, vejo meu Ipod rosa tocando David Bowie, a pia desmoronando e a tarraxinha do brinco que andava perdida. Está tudo no lugar, está tudo lá, me olhando. É a vida dizendo que faz sentido. Faz sentido a pia descolar depois de um tempo com tanto peso em cima, faz sentido que o aparelho que serve para tocar, toque. Faz sentido que um brinco tenha tarraxinha e faz ainda mais sentido que a tarraxinha, algo tão pequeno, se perca.
O telefone não toca e isso é óbvio: eu não tenho telefone. Meu celular não toca e isso é óbvio: ele está desligado. A campainha não toca e isso é absurdamente óbvio: ninguém pode subir aqui sem que eu deixe.
Ainda assim, ainda que eu esteja cercada de tantas coisas tão corretas quanto a cama ser algo para deitar, eu me pergunto: por que o mundo é tão estranho? Por que o telefone não toca? Porque eu estou aqui, mais uma vez, deitada na minha cama, achando tudo tão triste e solitário e estranho?
Canta David, canta seu louco de pedra. Onde é que está esse filho da puta desse homem que sold the world? Canta. Eu te entendo. Eu sou só uma garotinha careta sem tatuagens e com medo de queijo vencido. Mas eu te entendo. Não faz mesmo sentido essa pia, essa tarraxinha, esse silêncio, essa porra de campainha que ninguém toca. Não faz sentido.
Mas essa música não é do Nirvana? Eu te entendo Kurt. Te entendo, cara. Eu não vou pular da janela não. Eu tenho medo de tomar sereno. Mas eu te entendo seu louco de pedra filho da puta. Venha como você é. Venha. Mas ninguém vem. E quando vem, ninguém vem como é. Lá fora todo mundo anda sorrindo e dando opiniões cheias de inteligência sobre o último filme do cinema. Mas ninguém liga pra ninguém e fala: não é louco demais viver em um mundo onde a pia desaba e as tarraxinhas aparecem do nada enquanto o David canta a música que inspirou o Nirvana?
Viver é louco demais. Mas ninguém fala isso, ninguém fala. E eu me sinto tão absurdamente sozinha. Sozinha e hipócrita, porque eu também não vou ligar pra ninguém e falar que o mundo é louco demais.
Eu vou continuar sendo inteligente em almoços, e criando campanhas bonitas com criancinhas inteligentes, e fazendo comentários inteligentes em jantares e parecendo alguém normal com uma pitadinha de humor britânico.
E eu vou continuar absurdamente sozinha aqui, na espera do homem que sold the world. Na espera de comprar o mundo de volta e ordenar que você volte. Volte agora seu louco de pedra.

O médico e o monstro da solidão

Era “neuro”, como dizem. Já nem sabia mais se queria aquela profissão porque não tinha escolhido a medicina para “salvar pessoas” e sim para “salvar sua conta bancária”. Trabalhava que nem um condenado para tirar 6, 7 paus por mês, o que não era péssimo mas estava longe de ser enriquecedor. Pra piorar, não agüentava mais a vida real com toda aquela galera doente e queria virar cineasta.
Ela era “neuro” também, como dizem também. Já estava no décimo ano de terapia e continuava igual, fazia parte da sua alma, não tinha jeito. Era poeta, tinha até um site onde vomitava textos pesados e sem rima. Detestava os poetas tuberculosos que tinha estudado para o vestibular.
Em comum, além da abreviação, eles tinham a vontade de deixar de ser singular. Foi aí que ele, um dia, depois de tomar banho e não ter vontade nem de se vestir (pra quem?), digitou no google a palavra “solidão”. Caiu direto no site da garota neurótica. Era uma poesia que se chamava “solidão o cacete”.
Essa internet expõe mesmo as pessoas, ele pensou. Ainda bem, ele pensou quando viu a foto dela e achou a mistura daquele texto com aquele rosto algo merecedor de mais exposição:
-Ei, figura, tudo bem? Caí aqui no seu site, nessa noite quente por fora e fria por dentro. Sou neurocirurgião, posso abrir sua cabeça. Não que você seja limitada.
Ela, que não estava acostumada a responder esse tipo de e-mail (sua mãe moderna sempre dizia “naum tc com estranhos”), resolveu abrir uma exceção porque achou o máximo falar com um neurocirurgião e também porque pensou que ele devia ganhar bem:
-Ei, figura, tô precisando muito que alguém me faça uma lavagem cerebral. Conta mais.
-Só se for ao vivo.
-Fechado.
Se encontraram na Fnac da Paulista, ele era alto demais pro gosto dela, ela baixa demais para o dele. Foto engana. E o pior é que nem o papo manteve-se à altura do esperado.
-Sabe, sou louca. Odeio o mundo.
-Você é mais normal do que imagina.
-Nunca saí com um fã.
-Isso não é um encontro.
-Eu sou feia?
-Linda, mas não faz meu tipo.
-Ótimo, uma amizade dura mais que um amor, nunca mais vamos sofrer de solidão.
Ela foi falsa com as palavras cheias de rapidez empolgada, ele com o consentimento cheio de sorrisos encantados. Conversaram amenidades, comeram pão de queijo, falaram mal de um casal freak que se beijava na frente de crianças, ensaiaram um beijo desconexo para manter viva a chama do teatro e não decepcionar a tarde que se despedia esperançosa, desceram as escadas rolantes e deram graças a Deus quando tudo acabou.
Por trás daquele e-mail morava o homem da vida dela, sensível, engraçado e charmoso. Ela não podia perdoá-lo por não ser ele. Por trás daquele e-mail morava uma loira gigante, corpulenta e que fala “cacete”, aquela menina metida a intelectual merecia a morte.

Faxina Geral

no Youtube


Há muitas coisas boas em se mudar de casa ou apartamento. Em princípio, toda e qualquer mudança é um avanço, um passo à frente, uma ousadia que nos concedemos, nós que tememos tanto o desconhecido. Mudar de endereço, no entanto, traz um benefício extra. Você pode estar se mudando porque agora tem condições de morar melhor, ou, ao contrário, porque está sem condições de manter o que possui e necessita ir para um lugar menor. Em qualquer dos dois casos, de uma coisa ninguém escapa: é hora de jogar muita tralha fora. E, se avaliarmos a situação sem meter o coração no meio, chegaremos a um previsível diagnóstico: quase tudo que guardamos é tralha.
Começando pelo segundo caso, o de você estar indo para um lugar menor. Salve! Considere isso uma simplificação da vida, e não um passo atrás. Não haverá espaço para guardar todos os seus móveis e badulaques. Se você for muito sentimental, vai doer um pouquinho. Mas não é crime ser racional: olhe que oportunidade de ouro para desfazer-se daquela estante enorme que ocupa todo o corredor, e também daquela sala de jantar de oito lugares que você só usa em meia dúzia de ocasiões especiais, já que faz as refeições do dia-a-dia na copa. Para que tantas poltronas gordas, tanta mobília herdada, tantos quadros que, pensando bem, nem bonitos são? Xô! Leve com você apenas o que combina e cabe na sua nova etapa de vida. O que sobrar, venda, ou melhor ainda: doe. Você vai se sentir como se tivesse feito o regime das nove luas, a dieta do leite azedo, ou seja lá o que estiver na moda hoje para emagrecer.
No caso de você estar indo para um lugar maior, vale o mesmo. Aproveite a chance espetacular que a vida está lhe dando para exercitar o desapego. Para que iniciar vida nova com coisa velha? Ok, você foi a fundo de caixa e não sobrou nada para a decoração, compreende-se. Pois leve seu fogão, sua geladeira, sua cama, seu sofá e o imprescindível para não dormir no chão. Pra começar, isso basta. Coragem: é hora de passar adiante todas as roupas que você pensa que vai usar um dia, sabendo que não vai. Hora de botar no lixo todas as panelas sem cabo, os tapetes desfiados, as almofadas com rombos, os discos arranhados, as plantas semimortas, aquela lixeira medonha do banheiro, os copos trincados, os guias telefônicos de três anos atrás, todas as flores artificiais, as revistas empoeiradas que você coleciona, a máquina de escrever guardada no baú, o aquário vazio e o violão com duas cordas. Tudo isso e mais o que você esconde no armário da dependência de serviço. Vamos lá, seja homem.
Caso você não esteja de mudança marcada, invente outra desculpa qualquer, mas livre-se você também da sua tralha. Poucas experiências são tão transcendentais como deixar nossas tranqueiras pra trás.
Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.

domingo, julho 11, 2010

A impontualidade do amor

Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.
Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa?
Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.
O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.
O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.
A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir “eu te amo” num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir “eu te amo” numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.

Para não sentir dor

Para não sofrer eu vou me drogar de outros, eu vou me entupir de elogios, eu vou cheirar outras intenções. Vou encher minha cara de máscaras para não ser meu lado romântico que tanto precisa de um espaço para existir ridiculamente.
Não vou permitir ser ridícula, nem uma lágrima sequer, nem um segundo de olhar perdido no horizonte, nem uma nota triste no meu ouvido. Eu sei o quanto vai ser cansativo correr da dor, o quanto vai ser falso ignorar ela sentada no meu peito. Mas vou correr até minha última esquina. Vou burlar cada desesperada súplica do meu coração para que eu pare e sofra um pouquinho, um pouquinho que seja para passar.
Suor frio da corrida, sempre com sorriso duro no rosto e o medo de não ser nada daquilo que você me fez sentir que eu era. Muita maquiagem para esconder os buracos de solidão. Muita roupa bonita para esconder a falta de leveza e de certeza do meu caminho.

E por que vendo tanto meu corpo e tão pouco minha alma? Porque quero ver você comprando o que realmente quer e não enganando querer para levar a promoção.

Cansei das promessas de compra e das devoluções gastas do meu corpo. Cansei de expor minha alma se no fim tudo acaba mesmo. Então tá aqui ó: peitinhos, coxas, barriga e o buraco que você tanto quer.
Leve de uma vez e me engane por alguns dias. Você é igual a todos os outros e todos os outros são: lixo. O amor não existe, e, se existe, não dura pra sempre. E, se não dura pra sempre, não é amor. E nada dura pra sempre. E então o amor não existe.
Estou amarga com simplicidade, e isso é relaxante já que vivo cheia de complicações. A amargura é muito mais simples que a esperança. Estou triste do tamanho do buraco sem vida que você deixou em mim, uma concavidade sonhadora que ainda pulsa um desejo que ao mesmo tempo enoja.

Ainda sinto você aqui dentro e toda a energia boa de vida que esta lembrança poderia gerar em mim, mas essa energia sem escape, sem válvula, sem história, essa energia inocentemente transformada em ódio, só carrega ondas que me corroem por dentro.

Mas para não sentir dor eu vou jurar ao último ouvido do meu universo o quanto você é descartável. O quanto sua molecagem não permitiu nenhuma admiração de minha parte.
Para não sofrer não vou permitir minha cabeça no travesseiro antes do cansaço profundo e sem cérebro. Não vou permitir admirar coisas da natureza porque talvez eu me lembre de você ao ver algo bonito.
Não vou permitir silêncios porque é aí que o meu fundo transborda e a tristeza pode me tomar sem saída. Eu vou continuar deixando a minha cabeça me martelar porque toda essa confusão é ainda menos assustadora do que a calmaria da verdade.
A verdade é a frieza do mundo, é a podridão dos desejos, são as mentiras que a gente inventa para os outros e acaba acreditando. A verdade é que mais cedo ou mais tarde você será traído, porque todo mundo tem medo de viver a entrega. A verdade é que ninguém se entrega porque ninguém se tem. A verdade é que não estamos aqui, estamos em algum lugar seguro vivendo nossas vidas medíocres. A verdade é que todo esse perfume é vergonha de nossa essência, todas essas marcas são vergonha do nosso corpo, todo esse charme despretensioso é vergonha de nossas fraquezas. A verdade é que nada é inteiro porque até o inteiro para ser todo precisa ter seu lado vazio. A verdade é que não dá para fugir da dor, e eu continuo correndo, correndo, correndo e não saindo do mesmo lugar.

Ciúme não é ex.

Sobras de minha existência pela casa, escondidas para não
irritar a nova mocinha.
Meu pijama sufocado num canto da gaveta para que nenhuma
lembrança respire. Meus chinelos abduzidos no meio
da "sapataiada", tão pequenos que quase inexistem ou poderiam passar tranqüilamente por pares de criança.
Fotos, milhares delas, guardadas sem carinho, uma preguiça
triste de arrumá-las em álbuns. Estão lá, paralisadas em
momentos felizes, tradutoras de uma vida que quase foi,
trancadas porque o que quase foi não pode atrapalhar o que
ainda pode ser.
Talvez um fio de cabelo, o último deles, esteja nesse momento
sendo varrido e levado pelo vento forte e solitário que não
deixa dúvidas que o inverno chegou.
Inverno que era sempre comemorado porque eu sabia que ele não sentiria tanto calor para dormir e eu poderia ser abraçada de
conchinha o tanto que desejasse.
Agora é outra que suspira protegida olhando o quadro do Monet
e ri apaixonada de algum provável barulho que ele faça com
seu nariz estranho, jurando na manhã seguinte que não ronca.
Saudade não é ex, tampouco amor. Mas a vida da qual abrimos
mão por um sonho (ou por um erro) é passado.
E de escolhas e de perdas é feita a nossa história. Não há
nada que se possa fazer a não ser carregar por um tempo um
peso sufocante de impotência: eu escolhi que aquele fosse o
último abraço.
Agora é outra que se perde em ombros tão largos, tomara que
ela não se perca tanto ao ponto de um dia não enxergar o
quanto aquele abraço é o lado bom da vida.
Da vida que te desemprega mesmo depois de tantas noites em
claro e de tantos beirutes indigestos. Da vida que te abre
uma porta que você jura ser a certa mas quando resolve entrar
descobre duas crianças brincando na sala e uma mulher
esperando no quarto.
Da vida que te confunde tanto que você quer se afastar de
tudo para entendê-la de fora. Da vida que te humilha tanto
que você quer se ajoelhar numa igreja. Da vida que te
emociona tanto que você não quer pensar. Da vida que te dá um
tapa na cara pra você acordar e não tem ninguém pra cuidar do
machucado e dizer que vai ficar tudo bem. Da vida que te
engana.
Aquele abraço era o lado bom da vida, mas para valorizá-lo eu
precisava viver. E que irônico: pra viver eu precisava perdê-
lo.
Se fosse uma comédia-romântica-americana, a gente se
encontraria daqui a um tempo e eu diria a ele, que mesmo depois
de ter conhecido homens que não gritavam quando eu acendia a
luz do quarto, não faziam uso de um cigarro que me irritava
profundamente e sobretudo minha rinite alérgica, não amavam
os amigos acima de, não espirravam de uma maneira a deixar
um fio de meleca pendurado no nariz, não usavam cueca rosa,
não cantavam tão mal e tampouco cismavam de imitar o Led
Zeppelin, não tinham a mania de aumentar o rádio quando eu
estava falando, não tiravam sarro do bairro em que nasci, não
insistiam em classificar minhas mãos e pés como seres de
outro planeta, não ligavam se eu confundisse italiano com
espanhol e argentino, nomes de capitais, movimentos
artísticos, datas de revoluções e nomes de queijo, era ele
que eu amava, era ele que eu queria.
E ele me diria que, mesmo depois de ter conhecido mulheres que
conheciam a Europa e não entupiam o ralo com cabelos,
mulheres que tinham nascido em bairros nobres e charmosos de
São Paulo, ou melhor, do Rio de Janeiro, mulheres que
arrumavam a cama e não demoravam tanto para sentir prazer,
não entravam de sapato no carpete, não tinham uma blusa
ridícula com uma rajada de dourado, não eram dentuças e
tampouco testudas, não cantavam tão mal, não tinham medo de
cachorros pequenos, não reclamavam do ar-condicionado e nem
tinham medo de perder a mãe ou comer uma comida muito
temperada, era eu que ele amava, era eu que ele queria.
Mas a realidade é que não gostamos desses tipos de filme
fraco com final feliz, gostamos dos europeus "cult" onde na
maioria das vezes as pessoas sofrem e perdem, assim como aconteceu com a gente.

Amor Não Se Pede

Se implorar resolvesse, não me importaria. De joelhos, no milho, em espinhos, agachada, com o cofrinho aparecendo.
Uma loucura qualquer, se ajudasse, eu faria com o maior prazer. Do ridículo ao medo:
pularia pelada de bungee jump.
Chorar, se desse resultado, eu acabaria com a seca de qualquer Estado, de qualquer
espírito.
Mas amor não se pede, imagine só.
Ei, seu tonto, será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou
aqui quase esmagada com sua presença? Não, não dá pra dizer isso.
Ei, seu velho, será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de
uma ponte porque eu estou aqui sem chão com sua presença? Não, você não pode dizer isso.
Ei, monstro do lixo, será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida com a sua presença? Definitivamente, não, melhor não.
Amor não se pede, é uma pena.
É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira.
É uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um
semblante altista de quem constrói sozinho sonhos.
Mas você não pode, não, eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pro
desgraçado e dizer: ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar
e vir logo resolver meu problema?
Mas amor, minha querida, não se pede, dá raiva, eu sei.
Raiva dele ter tirado o gosto do mousse de chocolate que você amava tanto.
Raiva dele fazer você comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum
momento, o gosto volta.
Raiva dele ter tirado as cores bonitas do mundo, a felicidade imensa em ver crianças sorrindo, a graça na bobeira de um cachorro querendo brincar.
Ele roubou sua leveza mas, por alguma razão, você está vazia.
Mas não dá, nem de brincadeira, pra você ligar pro cara e dizer: ei, a vida é curta pra sofrer, volta, volta, volta.
Porque amor, meu amor, não se pede, é triste, eu sei bem. É triste ver o Sol e não vê-lo se irritar porque seus olhos são claros demais, são tristes as manhãs que prometem mais um dia sem ele, são tristes as noites que cumprem a promessa.
É triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e você não olha de lado, aquele cheiro
que acalma a busca. Aquele cheiro que dá vontade de transar pro resto da vida.
É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz.
Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto
amargurado.
É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer,
implorar.
É triste lembrar como eu ria com ele.
Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa?
Ele sabe, ele sabe.

O problema

Ele nem é mais tão bonito, mas as modeletes do interior que chegam em vãs e almoçam de graça em restaurantes caídos do Itaim ainda o medem dos pés à cabeça. O cheiro do sucesso. O garçom fica nervoso mesmo quando ele sorri. A música abaixa na hora que ele abre o cardápio. Sei lá, ele incomoda o mundo. E eu, depois de o quê? Quase dez anos? Ainda me irrito, principalmente com as modeletes oferecidas. E ele ainda se irrita que eu me irrito “Tati, querida, é só você que vê essas coisas”. Não, querido, sou só eu que falo sobre essas coisas que todo mundo vê. E lembro porque eu não quis casar com ele, mesmo ainda tendo guardada a aliança grossa que ele me deu com um “te amo’ gravado na parte de dentro. “Com essa você pode tomar banho”, ele disse, tirando sarro das jóias vagabundas que outros caras me davam.
Então quer dizer que essa semana você fechou um contrato que adicionou “podre de” ao seu “rico”? Ele ri à vontade. Ele sempre gostou da maneira esculachada com a qual eu trato seu dinheiro. A cada compra de carro do momento, a cada apartamento maior como se isso fosse possível. E eu, ao invés de fazer biquinho blasé como, tenho certeza, sua mulher atual faz, gritava. Pulava. Corria de meias pela sala enorme. Brincava de ligar da sala e falar que eu não lembrava como fazia pra voltar pro quarto. Apelidava o meu banheiro de “suíte 45B”. Abria a porta da varanda e falava um palavrão bem alto pra vista maravilhosa. Eu adorava. Eu tinha 21 ou 22 anos, era boba de tudo, e adorava ter um namorado coroa que de repente atendia um dos celulares (naquela época eram dois apenas) e disparava uma bronca em espanhol, uma ordem em francês e, teve até um dia, ele encarnou o carioca boêmio (ele queria convencer um cliente gringo a vir curtir a noitada brasileira). Tratava-se de um grande homem.
Bom, mas o tempo era inversamente proporcional ao seu dinheiro. Além de suas cinco empresas (e eu, coitada, querendo contar dos meus cinco “empregos”) ele agora tinha um quinto filho também. Era um tal dessa desocupada parir que…bom, deixa pra lá. Vamos direto ao assunto.
Eu quero saber meu problema. Mesmo. Você me conhece há dez anos. Você, sempre que me encontra, deixa claro: “se precisar de alguma coisa, qualquer coisa”. E eu agora to precisando. Quero saber qual é o meu problema. Onde eu tô errando?
Ele então respirou profundamente. Se ajeitou na cadeira. Desligou seus cinco celulares pra não ser interrompido. O grande momento havia chegado. Ele poderia me dizer tudo aquilo que ficou entalado em sua garganta. Aquilo que eu nunca permiti verdadeiramente que um homem ou qualquer pessoa me dissesse. Eu não estava contando uma história e pedindo conselho. Eu estava pedindo pra que me dissessem “o problema”. Eu estava pedindo ajuda ao homem mais maduro e vivido e esperto que eu conhecia. Ele então olhou com sua cara de águia míope pro garçom “não me interrompa agora caso tenha amor pela vida”. E pegou na minha mão. E apertou minha mão. E ficou muito sério. É agora, eu pensei. O único homem que realmente poderia me ajudar. Isso vai mudar a minha vida. Vai, fala logo. E ele se aproximou e disse, bem devagar, e baixinho, no meu ouvido: “não olha agora, mas o cara da mesa ao lado é igualzinho o Shrek”.

Tudo errado


A primeira parte da primeira vez que fomos jantar foi um completo fracasso. Eu escolhi o restaurante, eu peguei ele em casa, eu paguei a maior parte da conta porque “você que inventou de pedir o vinho” e ele estava muito mal vestido e não tinha tomado banho depois de um dia inteiro de trabalho. Erro, erro, erro. Assim que paguei sozinha o manobrista e me vi andando na chuva até ele, que aguardava o carro tranquilamente embaixo de um toldo, tive a certeza: esse não serve nem pra amigo que você cumprimenta quando cruza na rua uma vez a cada quinze anos.
Mas eu estava uns bons meses sem transar, sem o menor saco de conhecer gente nova, sem a menor cara de pau para ligar para ex namorados e ele havia sido recomendado por amigas limpinhas “vai que é bom” e, por total falta de opção numa terça fria, deixei ele subir no meu apartamento.
Na manhã seguinte, já éramos melhores amigos. Cantamos todas as músicas do Radiohead tão alto que a vizinha de baixo bateu com o cabo da vassoura no teto. Fizemos campeonato de quem imitava melhor a dança epilética do Ian Curtis, falamos mal das meninas que usavam saltos muito altos nos domingos ensolarados, pulamos de alegria quando descobrimos que estávamos lendo o mesmo livro do Philiph Roth e ele instalou todos os aparatos eletroeletrônicos que, assim como eu, aguardavam um homem inteligente dentro de uma caixinha semi aberta.
Ele foi embora se despedindo de mim com um beijo amigo e pela primeira vez na vida achei essa ideia ótima “ele está indo embora sem promessas de amor eterno e eu não estou sofrendo nem um pouco com isso”.
Sem mensagenzinhas de carinho ou e-mails fofos, seis dias depois nos encontramos de novo para mais uma maratona de sexo sem amor, e assim ficamos por uma vida. Com intervalos para quando ele arrumava uma namorada ou eu achava que arrumava um namorado. Era leve, divertido, gostoso e uma experiência incrível para a minha pessoa ciumenta: eu ajudava ele a paquerar em baladas e me divertia quando ele ligava na manhã seguinte “a mala da mina apaixonou, e agora?” E agora vamos no cinema mais tarde. E pronto.
Esse ano ainda não havíamos nos encontrado. Ele porque arrumou uma mulher bem ao seu estilo (que escolhe restaurante que aceita Visa Vale, usa chinelas crocs com meias de lã coloridas e super se preocupa mesmo com aquelas passeatas dentro do prédio de sociais da USP) e eu porque estava tão apaixonada por outra pessoa que preferia deitar na cama sozinha, só com a voz dele do outro lado da linha, a milhões de quilômetros de mim.
Ontem nos encontramos numa festa de um amigo em comum. Ele estressado, com a menina ciumenta ligando no seu celular de meia em meia hora; e eu pelos cantos, suspirando por mais um amor perdido pelo excesso.
Ficamos abraçados por horas. Meu coração não disparou e nem o dele. E só por isso o abraço durou tanto.

O Mito da Mulher Misteriosa


Com certeza você já deve ter visto uma dessas ou no seu trabalho, grupo de amigos ou mesmo andando nas ruas. Talvez você até mesmo seja uma dessas mulheres.
É fácil reconhecer a mulher misteriosa. Ela jamais atende o celular na sua frente. Se levanta e vai atender bem longe de você. E você não sabe se ela está narrando alguma postura do Kama Sutra ou uma receita de bolo de fubá da vovó. O toque do seu celular é discretíssimo e você nem percebe que ela saiu de perto pra atender. Porque ela também é discretíssima.
Por que terminou o namoro da mulher misteriosa? Ela enjoou dele? Levou um pé na bunda? O cara morreu? Ela ta sofrendo? Você nem sonha. Ela não conta nem pro terapeuta. Aliás, você também jamais vai descobrir se existe um terapeuta.
Sua idade é entre 25 e 38 anos. Não dá pra saber só de olhar. Seu rosto se desfaz em segundos. Talvez ela more nos Jardins. Pinheiros. Veio de Curitiba. Ela é carioca? É ali por perto, você acha. Seu carro é preto ou cinza, quase certeza. Ela gosta de música, porque vive de I-pod. Mas o que será que ela escuta? Nada. você não sabe absolutamente nada da mulher misteriosa. Quando você a encontra no banheiro, dá um segundo e ela desapareceu. E você louca pra descobrir, ao menos, a marca da sua pasta de dente.
Numa mesa de bar com conversa animada ela se limita a sorrir. Numa festa importante ela se limita a aparecer por minutos e desaparecer em segundos. Em um show ela jamais canta as letras, rebola, comemora, fica suada. Aliás, quem é que já encontrou ela em algum show? Ou em algum lugar? Mas era ela, não era?
Dizer seu nome em vão parece até um pecado. Ela nunca fala de ninguém e muito menos dá assunto para alguém falar dela. Não se tem nada a dizer dessa mulher. Mas, para desespero geral de todas as outras mulheres, o mundo não tem outro assunto.
Todos os homens desejam loucamente a mulher misteriosa. Todas as mulheres desejam loucamente a mulher misteriosa. Sua personalidade incerta acaba se tornando uma personalidade fortíssima e seu jeito anulado acaba se tornando um espaço gigantesco para todos imaginarem o que bem quiserem.
E eu, como estava dizendo, sempre quis ser dessas mulheres imperfuráveis, inatingíveis, inaudíveis e incompreensíveis. Mas nunca consegui. Quando vou ver, já contei minha vida pra primeira pessoa que me deu um pouco de atenção. Já to rindo alto no restaurante porque não me controlei e fiquei feliz demais. Já escrevi um texto sobre o fulaninho da terça passada e publiquei numa revista. E o fulaninho ta morrendo de medo porque escrevi que gosto dele. E se alguém perguntar, vou dizer mesmo que goste dele. E se ele não gostar de mim, minha tristeza não será segredo para ninguém. E minha pasta de dente é para deixar os dentes branquinhos. E quando vou ver, lá se foi a mulher misteriosa que eu gostaria tanto de ser. Porque eu jamais poderia ser uma.
E sofri anos com isso. Até que resolvi conviver de perto com algumas mulheres misteriosas para tentar descobrir o que se passa na cabeça e na alma desses seres incríveis que nunca têm nada a dizer, a doer, a aconselhar, a cantar, a dançar, a morrer de rir, a fofocar, a detalhar, a exagerar, a sonhar, a dividir, a acrescentar. E descobri que a coisa era muito mais simples do que eu imaginava: nada. Não se passa nada de relevante nem na cabeça e nem na alma dessas mulheres.
As mulheres misteriosas, tão admiradas e desejadas, não passam de mulheres sem a menor graça. Elas não calam por mistério, charme ou discrição. Calam porque simplesmente não há nada mais sábio que elas possam fazer.
V

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso

Que ideia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre Deus e a alma
E sobre a criação do mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do universo"...
tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, é como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

FERNANDO PESSOA

Fernando Antônio Nogueira Pessoa nasceu em 13 de junho de 1888 em Lisboa. Em 1893 morre seu pai e em 1894, seu irmão, Jorge. No ano seguinte, sua mãe casa-se com João Miguel Rosa, cônsul português em Durban, na África do Sul. Em 1896, a família parte para Durban onde Fernando Pessoa estuda e aprende o inglês. Em 1905, ele regressa definitivamente a Lisboa, com intenção de se inscrever no Curso Superior de Letras. Lê Shakespeare, Wordsworth e filósofos gregos e alemães. Toma contato com a poesia francesa, especialmente a de Baudelaire e lê os poetas portugueses Cesário Verde e Camilo Pessanha. Em 1907, abandona o curso superior e monta uma tipografia que mal chega a funcionar. No ano seguinte, começa a trabalhar como correspondente estrangeiro em casas comerciais, profissão que exerceu até a morte. Pessoa escolhe uma vida discreta, mas livre, sem obrigações fixas, nem horários.


*Os heterônimos (diz-se de autor que publica um livro sob o nome verdadeiro de outra pessoa)

Os principais heterônimos de Fernando Pessoa são:
  • Alberto Caeiro, nascido em Lisboa em 16 de abril de 1889.
  • Ricardo Reis, nascido no Porto em 19 de setembro de 1887.
  • Álvaro de Campos, nascido em Tavira em 15 de outubro de 1890.
1 - Alberto Caeiro  - Considerado o mestre dos demais heterônimos e o próprio ortônimo de Fernando Pessoa, calmo, naturalmente conciliado consigo mesmo e com o mundo, Alberto Caeiro possui a mansidão e a sabedoria que os outros invejam. Aproxima-se da postura do Zen Budismo. Para Caeiro, o importante é ver e ouvir: “A sensação é tudo (...) e o pensamento é uma doença”.
É o mais objetivo dos heterônimos. Busca o objetivismo absoluto, eliminando todos os vestígios da subjetividade. É o poeta que se volta para a fruição direta da Natureza; busca “as sensações das coisas tais como são”. Opõe-se radicalmente ao intelectualismo, à abstração, à especulação metafísica e ao misticismo. Neste sentido, é o antípoda de Fernando Pessoa “ele-mesmo”, é a negação do mistério, do oculto.

2 - Ricardo Reis – representa a vertente clássica ou neoclássica da criação de Fernando Pessoa. Sua linguagem é contida, disciplinada. Seus versos são, geralmente, curtos, tendendo à vernaculidade e ao formalismo. Tem consciência da fugacidade do tempo; apóia-se na mitologia greco-romana; apresenta-nos uma musa (Lídia) e, filosoficamente, é adepto do estoicismo e do epicurismo (saúde do corpo e da mente, equilíbrio, harmonia) para que se possa aproveitar a vida, mas sem exageros, sossegadamente, porque a morte está à espreita. Médico que se mudou para o Brasil.

3- Álvaro de Campos – é o lado “moderno” de Fernando Pessoa, caracterizado por uma vontade de conquista, por um amor à civilização e ao progresso, por uma linguagem de tom irreverente. Essa modernidade tem ligações claras com o cosmopolita Cesário Verde, com Walt Whitman e com o Futurismo. Sentindo e intelectualizando suas sensações (sentir e pensar), Campos percebe a impossibilidade de não pensar, observa criticamente o mundo e a si próprio, angustiando-se diante do tempo inexorável e do absurdo da vida. Apresenta-se como o engenheiro inativo, inadaptado, inconciliado, com consciência crítica.

Quadrilha


1960 - ANTOLOGIA POÉTICA

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
 

Saudades

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...

A Alegria na Tristeza

O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.

A TODOS...

A todos trato muito bem
sou cordial, educada, quase sensata,
mas nada me dá mais prazer
do que ser persona non grata
expulsa do paraiso
uma mulher sem juízo, que não se comove
com nada
cruel e refinada
que não merece ir pro céu, uma vilã de novela
mas bela, e até mesmo culta
estranha, com tantos amigos
e amada, bem vestida e respeitada
aqui entre nós
melhor que ser boazinha é não poder ser imitada.

FELICIDADE REALISTA

De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.
Eu triste sou calada
Eu brava sou estúpida
Eu lúcida sou chata
Eu gata sou esperta
Eu cega sou vidente
Eu carente sou insana
Eu malandra sou fresca
Eu seca sou vazia
Eu fria sou distante
Eu quente sou oleosa
Eu prosa sou tantas
Eu santa sou gelada
Eu salgada sou crua
Eu pura sou tentada
Eu sentada sou alta
Eu jovem sou donzela
Eu bela sou fútil
Eu útil sou boa
Eu à toa sou tua.

QUEM MORRE?

Morre lentamente
Quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo

Morre lentamente
Quem destrói seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajeto,
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou
Não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções, Justamente as que resgatam o brilho dos
Olhos e os corações aos tropeços.

Morre lentamente
Quem não vira a mesa quando está infeliz
Com o seu trabalho, ou amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto
Para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, Fugir dos conselhos sensatos...

Viva hoje !
Arrisque hoje !
Faça hoje !
Não se deixe morrer lentamente !

NÃO SE ESQUEÇA DE SER FELIZ

Desconstruções

Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, tem a ver com as nossas expectativas e tem muito a ver com o que ela "vende" de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: a de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real.

Desconstruindo Flávia, desconstruindo Gilson, desconstruindo Marcelo. Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme. Mas isso é no começo. Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas e nossas imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito.

Quem se apaixonou por um falsário, tem que desconstruí-lo para se desapaixonar. É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia. Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa.

A gente resiste muito a aceitar que alguém que amamos não é, e nem nunca foi, especial. Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé

O amor não acaba, nós é que mudamos


Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba?

O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são subtituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos.

Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito.

O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.

VOCÊ É...

Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra.

Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora.

Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.

Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima.

Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.

Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.

Amor Epidérmico

Seus pais foram jantar fora e deixaram o apartamento só para você, seu namorado e a tevê a cabo. Que inconseqüentes! Em menos de um minuto vocês deixam a televisão falando sozinha e vão ensaiar umas cenas de amor no quartinho dos fundos. De repente, escutam o barulho da fechadura. Seu pai esqueceu o talão de cheques. Passos no corredor. Antes que você localize sua camiseta, sua mãe se materializa na porta. Parece que ela está brincando de estátua, mas não resta dúvida que entrou em estado de choque. Você diz o quê? Mãe, a carne é fraca.

A desculpa é esfarrapada mas é legítima. Nada é mais vulnerável que nosso desejo. Na luta entre o cérebro e a pele, nunca dá empate. A pele sempre ganha de W.O.

Você planeja terminar um relacionamento. Chegou à conclusão que não quer mais ter a seu lado uma pessoa distante, que não leva nada à sério, que vive contando piadinhas preconceituosas e que não parece estar muito apaixonado. Por que levar a história adiante? Melhor terminar tudo hoje mesmo. Marca um encontro. Ele chega no horário, você também. Começam a conversar. Você engata o assunto. Para sua surpresa, ele ficou triste. Não quer se separar de você. E para provar, segura seu rosto com as duas mãos e tasca-lhe um beijo. Danou-se.

Onde foram parar as teorias, os diálogos que você planejou, a decisão que parecia irrevogável? Tomaram Doril. Você agora está sob os efeitos do cheiro dele, está rendida ao gosto dele, está ligada a ele pela derme e epiderme. A gravação do seu celular informa: seus neurônios estão fora da área de cobertura ou desligados.

Isso nunca aconteceu com você? Reluto entre dar-lhe os parabéns ou os pêsames. Por um lado, é ótimo ter controle absoluto de todas as suas ações e reações, ter força suficiente para resistir ao próprio desejo. Por outro lado, como é bom dar folga ao nosso raciocínio e deixar-se seduzir, sem ficar calculando perdas e danos, apenas dando-se ao luxo de viver o seu dia de Pigmaleão.

A carne é fraca, mas você tem que ser forte, é o que recomendam todos. Tente, ao menos de vez em quando, ser sexualmente vegetariano e não ceder às tentações. Se conseguir, bravo: terá as rédeas de seu destino na mão. Mas se não der certo, console-se. Criaturas que derretem-se, entregam-se, consomem-se e não sabem negar-se costumam trazer um sorriso enigmático nos lábios. Alguma recompensa há de ter.

Aí Tem


As coisas são como são. Se alguém diz que está calmo, é porque está calmo. Se alguém diz que te ama, é porque te ama. Se alguém diz que não vai poder sair à noite porque precisa estudar, está explicado. Mas a gente não escuta só as palavras: a gente ouve também os sinais.

Ele telefonou na hora que disse que ia ligar, mas estava frio como um iglu. Você falava, falava, e ele quieto, monossilábico. Até que você o coloca contra a parede: "O que é que está havendo?". "Nada, tô na minha, só isso." Só isso???? Aí tem.

Ele telefonou na hora que disse que ia ligar, mas estava exaltado demais. Não parava de tagarelar. Um entusiasmo fora do comum. Você pergunta à queima-roupa: "Que alegria é essa?" "Ué, tô feliz, só isso". Só isso????? Aí tem.

Os tais sinais. Ansiedade fora de hora, mudez estranha, olhar perdido, mudança no jeito de se vestir, olheiras e bocejos de quem dormiu pouco à noite: aí tem. Somos doutoras em traduzir gestos, silêncios e atitudes incomuns. Se ele está calado demais, é porque está pensando na melhor maneira de nos dar uma má notícia. Se está esfuziante demais, é porque andou rolando novidades que você não está sabendo. Se ele está carinhoso demais, é porque não quer que você perceba que está com a cabeça em outra. Se manda flores, é porque está querendo que a gente facilite alguma coisa pra ele. Se vai viajar com os amigos, é porque não nos ama mais. Se parou de fumar, é uma promessa que ele não contou pra você. Enfim, o cara não pode respirar diferente que aí tem.

Às vezes não tem. O cara pode estar calado porque leu um troço que mexeu com ele, ou está falando muito porque o time dele venceu. Pode estar mais carinhoso porque conversou sobre isso na terapia e pode estar mais produzido porque teve um aumento de salário. Por que tudo o que eles fazem tem que ser um recado pra gente?

É uma generalização, mas as mulheres costumam ser mais inseguras que os homens no quesito relacionamento. Qualquer mudança de rota nos deixa em estado de alerta, qualquer outra mulher que cruze o caminho dele pode ser uma concorrente, qualquer rispidez não justificada pode ser um cartão amarelo. O que ele diz importa menos do que sua conduta. Pobres homens. Se não estão babando por nós, se tiram o dia para meditar ou para assistir um jogo de vôlei na tevê sem avisar com duas semanas de antecedência, danou-se: aí tem.

Não desista nunca



Se você não acreditar naquilo que você é capaz de fazer; quem vai acreditar?
Dizer que existe uma idade certa, tempo certo, local certo, não existe.
Somente quando você estiver convicto daquilo que deseja e esta convicção fizer parte integrante do processo.
Mas quando ocorre este momento? Imagine uma ponte sobre um rio.
Você está em uma margem e seu objetivo está na outra.
Você pensa, raciocina, acredita que a sua realização está lá.
Você atravessa a ponte, abraça o objetivo e não olha para traz.
Estoura a sua ponte.
Pode ser que tenha até dificuldades, mas se você realmente acredita que pode realizá-lo, não perca tempo: vá e faça.
Agora, se você simplesmente não quer ficar nesta margem e não tem um objetivo definido, no momento do estouro, você estará exatamente no meio da ponte.
Já viu alguém no meio de uma ponte na hora da explosão... eu também não.
Realmente não é simples.
Quando você visualizar o seu objetivo e criar a coragem suficiente em realizá-lo, tenha em mente que para a sua concretização, alguns detalhes deverão estar bem claros na cabeça ou seja, facilidades e dificuldades aparecerão, mas se realmente acredita que pode fazer, os incômodos desaparecerão.
É só não se desesperar.
Seja no mínimo um pouco paciente.
Pois é, as diferenças básicas entre os três momentos são:
ESTOURAR A PONTE ANTES DE ATRAVESSÁ-LA Você começou a sonhar... sonhar... sonhar! De repente, sentiu-se estimulado a querer ou gozar de algo melhor.
Entretanto, dentro de sua avaliação, começa a perceber que fatores que fogem ao seu controle, não permitem que suas habilidades e competências o realize.
Pergunto, vale a pena insistir?
Para ficar mais tangível, imaginemos que uma pessoa sonhe viver ou visitar a lua, mas as perspectivas do agora não o permitem, adianta ficar sonhando ou traçando este objetivo?
Para que você não fique no mundo da lua, meio maluquinho, estoure a sua ponte antes de atravessá-la, rompa com este objetivo e parta para outros sonhos! ESTOURAR A PONTE NO MOMENTO DE ATRAVESSÁ-LA Acredito que tenha ficado claro, mas cabe o reforço.
O fato de você desejar não ficar numa situação desagradável é válido, entretanto você não saber o que é mais agradável, já não o é! Ou seja, a falta de perspectiva nem explorada em pensamento, não leva a lugar algum. Você tem a obrigação consciencional de criar alternativas melhores.
Nos dias de hoje, não podemos nos dar ao luxo de sair sem destino.
O nosso futuro não é responsabilidade de outrem, nós é que construímos o nosso futuro. Sem desculpas, pode começar...
ESTOURAR A PONTE DEPOIS DE ATRAVESSÁ-LA.
No início comentei sobre as pessoas que realizaram o sucesso e outras que não tiveram a mesma sorte.
Em primeiro lugar, acredito que temos de definir o que é sucesso.
Sou pelas coisas simples, sucesso é gostar do que faz e fazer o que gosta.
Tentamos nos moldar em uma cultura de determinados valores, onde o sucesso é medido pela posse de coisas, mas é muito mesquinho você ter e não desfrutar daquilo que realmente deseja.
As pessoas que realizaram a oportunidade de estourar as suas pontes de modo adequado e consistente, não só imaginaram, atravessaram e encontraram os objetivos do outro lado.
Os objetivos a serem perseguidos, foram construídos dentro de uma visão clara do que se queria alcançar, em tempo suficiente, de modo adequado, através de fatores pessoais ou impessoais, facilitadores ou não, enfim o grau de comprometimento utilizado para a sua concretização.

A visão sem ação, não passa de um sonho.
A ação sem visão é só um passatempo.
A visão com ação pode mudar o mundo.

segunda-feira, maio 31, 2010

Carência não é saudade


O namoro já não vai mais tão bem e costumamos empurrar com a barriga até que a situação fica insustentável e, finalmente, terminamos. É triste, mas tudo bem, fizemos o que era necessário. E o que acontece agora? Na maioria dos casos são aqueles dias tristes em que não nos esquecemos da pessoa, dos bons momentos que passamos juntos e por aí vai.
Os primeiros dias – em alguns casos primeiras semanas – são bem complicados, mas eles passam. E agora é hora de curtir, sair com os amigos, conhecer um monte de pessoas novas e lugares bacanas, fazer tudo o que dá vontade de fazer, sem ter que dar justificativa nenhuma a ninguém. São bons tempos! Eu lembro bem das coisas que fiz depois dos meus últimos namoros terminarem, parece que vivi 5 anos em 5 meses.
Está tudo muito bom, tudo muito bonito, mas uma hora essa fogueira toda  animação acaba e, se não fosse por um detalhe, as coisas continuariam bem mesmo assim: até pouco tempo estávamos namorando. Nos acostumamos a ter uma companhia sempre, independente do que acontecesse ou deixasse de acontecer. É aí que mora o tal do perigo.
Nesses momentos de abstinência  passional, geralmente a primeira pessoa que vem na cabeça é um exu chamada(o) ex.
A maioria das pessoas costumam deixar isso acontecer e confundem as coisas, transformando carência em saudades. E isso dá merda, das grandes!
Cansei de ver casais de amigos indo e voltando várias vezes porque a cada carência que batia, achavam que o sentimento pela(o) ex ainda existia e lá estavam eles, juntos de novo, tentando consertar o que não tem conserto. Eu mesma já passei por isso e acabei me arrependendo ao final.
Sabe o que acontece por conta disso? Nós não conseguimos nos desprender do passado e prolongamos o sofrimento por muito mais tempo do que deveria, passando maus bocados atoa, simplesmente porque insistimos em ser cabeça de ovo e não pensar direito. O coração é um bicho confuso, que quer mandar mais que o cérebro e ele, muitas vezes, faz um estrago enorme.
Acabo de terminar mais um namoro, formas de encarar o mundo diferenciada é pior do que incompatibilidade de gênios, quando duas pessoas com gênio forte estão juntas elas se respeito aprendem os limites, porém a forma de ver o mundo não muda, podemos aprender outros ângulos, outros pontos de vista.
Os valores enraizados, prioridades não são tão fáceis de se mudar. Como me disseram na vida precisamos de escolhas e elas são priorizadas de acordo com as necessidades de cada individuo do momento. Para cada coisa q escolhemos abrimos mão de outra e assim a vida segue seu curso.
Aprender a ceder é algo complicado, principalmente porque as primeirass vezes que cedemos é por vontade de querer bem de se fazer a vontade alheia, o tempo vai transformando boa vontade em obrigação e as frustrações começam a se acumular como uma bomba prestes a explodir.
O ceder por boa vontade magicamente como um feitiço se transforma em obrigação em frustração uma verdadeira moeda de troca, onde cada gesto de boa vontade no passado torna-se uma obrigação da outra parte para o futuro.
Quando um relacionamento termina ele deve terminar e manter-se assim. As recaídas  só nos trazem uma nova bagagem de velhas malas (frustrações, tristezas, sentimentos de impotência).
Portanto é bom ficar esperto e lembrar sempre disso: carência não é saudade, carência não é saudade, CARÊNCIA NÃO É SAUDADE!

sexta-feira, maio 28, 2010

Fizeram agente acreditar

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.
 Não
contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja,
e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. 
Não
contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece
carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a
gente cresce através da gente mesmo. 
Se
estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente
acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando
igual, agindo igual, que era isso que funcionava.
 Não
nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com
personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram
a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de
hora devem ser reprimidos. 
Fizeram
a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que
transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para
um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que
pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz,
a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à
marginalidade.
 Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
 Ah,
também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um
vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito
apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por
alguém
.

quarta-feira, maio 26, 2010

Afinal quem é o Autor???

Arnaldo Jabor recebeu elogios por um texto sobre bunda que circulou como se fosse seu: ficou indignado.

Se você ainda não recebeu na sua caixa de e-mail - o que é apenas uma questão de tempo -, certamente já ouviu de algum amigo comentários sobre aquele texto superinteressante, engraçadíssimo, daqueles que dizem tudo que qualquer mortal gostaria de desabafar: Putz, esse Millôr Fernandes é mesmo um gênio, só ele para escrever sobre palavrões dessa forma, você chega a pensar. Acontece que Millôr nunca escreveu PN sobre o assunto, e ainda fica pê da vida quando alguém comenta ter adorado o texto que exalta a utilidade dos termos de baixo calão na comunicação cotidiana dos simples mortais.

O tal texto intitulado "O direito ao palavrão", que circula pela rede há um tempão, é um apócrifo como tantos outros que ganham credibilidade por levarem a assinatura de nomes importantes da literatura brasileira e mundial. Editora do caderno semanal de informática do jornal O Globo, a jornalista Cora Rónai resolveu lançar luz sobre o assunto e organizou o divertido, mas que não deixa de ser sério, "Caiu na rede", no qual apresenta textos atribuídos a gente como Luis Fernando Verissimo, Arnaldo Jabor, João Ubaldo Ribeiro, Gabriel García Márquez, Caetano Veloso, Carlos Drummond de Andrade e Jorge Luis Borges, entre outros.

O argentino Borges é outra vítima da sanha dos autores desconhecidos com o rodadíssimo Instantes. "Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais. Seria mais tolo ainda do que tenho sido; na verdade, bem poucas pessoas me levariam a sério. Seria menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais...". E por aí vai, com Borges provavelmente se revirando no túmulo.

Contra-ataque - Outro texto famosérrimo é o de Arnaldo Jabor, digo, atribuído a ele, sobre a bunda. "Tenho horror à mulher perfeitinha. Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, tá sempre na moda e é tão sorridente que parece garota propaganda de processo de clareamento dentário? E, só para piorar, tem a bunda dura? Pois então, mulheres assim são um porre. Pior: são brochantes." Revoltado, Jabor pariu a crônica "Eu não escrevi `Bunda dura´", publicada em O Estado de S. Paulo, em 2004, sem disfarçar a indignação.

"Fico louco, porque estou sendo elogiado justamente pelo que não fiz. Toda semana tento ser inteligente, escrevo sobre o Bush, a crise internacional, espremo meus pobres conhecimentos filosóficos ou sociológicos, capricho na língua, tudo para ser chamado de `profundo´ e aí, `Bunda dura´ vem e é meu Prêmio Jabuti, minha medalha", vocifera.

Mais original foi o baiano Ubaldo, vitimado com o texto "Precisa-se de matéria-prima para construir um país", que diz que o problema do Brasil não são seus governantes e, sim, o povo. "Estou lhe mandando o texto abaixo porque está circulando na internet como meu e, antes que você tome um susto ao eventualmente recebê-lo, quero explicar que não tem nada de meu, eu não escreveria esse negócio nunca. Até o detalhe de molhar a mão do guarda é inverídico, porque não tenho carteira e não dirijo mais há uns trinta anos. Mas não posso fazer nada, só posso desmentir a quem me pergunte. E agora você, a quem lhe perguntarem. Abraços chateados de João Ubaldo", encaminhou, para os amigos.

O começo de tudo - O primeiro texto a circular pela internet com autoria trocada foi "Filtro solar", atribuído a Kurt Vonnegut, mas escrito e publicado por Mary Schmich, colunista do jornal Chicago Tribune. O material em questão foi batido à exaustão no Brasil com a voz de Pedro Bial num clipe (criado pelo cineasta australiano Baz Luhrman),com imagens bonitas e música eletrônica ao fundo. Você deve lembrar: "Usem filtro solar. Se eu pudesse lhes dar uma única dica em relação ao futuro, esta dica seria filtro solar...".

Além da tentação quase irresistível de, com um simples clique do mouse, encaminhar o texto para um monte de gente, Cora Rónai aponta outras motivações para o fenômeno de troca ou supressão de autorias. A primeira intenção seria conferir mais impacto ao material - isso explica, por exemplo, a imensa quantidade de falsos Verissimos no Brasil. Quem resiste ao autor mais amado do país?, ela afirma - e, a segunda, a falta de interesse pelo autor do texto. Ao ler a maioria dos apócrifos que circulam pela internet.br, não é difícil perceber que a confusão raras vezes nasce da maldade ou da simples vontade de passar trotes. Em sua vasta maioria, os textos são cômicos ou motivacionais, `lições de vida´ - o que, sem grandes psicologismos, basta para revelar o que está por trás da falsa atribuição ou do `esquecimento´ do nome do autor: a vontade irrefreável de espalhar conselhos e risadas entre o maior número possível de pessoas, aliada à ignorância e a um senso peculiar do que é direito autoral, acredita Rónai.

terça-feira, maio 11, 2010

O ponto de vista masculino é unissex

Como conseguir um namoro legal

Por Caio Bertechini,
namoro
Hoje em dia relações superficiais dominam o “mercado” afetivo.

É muito comum vermos relatos de jovens dizendo “pegar” duas ou três, quando não mais garotas em uma única festa. Talvez isso não seja com grande constância, mas de fato é real.

As relações afetivas como facilmente podemos notar “evoluíram”, evoluíram não no sentido de melhorarem, mas no sentido de não ser mais como antes. Se melhorou ou não é opinião pessoal, opinião essa fundamentada de acordo com as necessidades e autoconfiança de cada um, porém ainda assim essa evolução trouxe consigo prós e contras de todas as formas.

Hoje aproximar-se de uma garota tornou-se radicalmente mais fácil do que décadas atrás, passar o telefone nos dias de hoje é algo banal ao extremo, beijar sem muitas vezes saber o nome de quem se esta beijando e por ai vai...

No entanto toda essa mudança trouxe uma grande “depressão” em antigas instituições como o casamento e também o namoro. Com maior facilidade para aproximações o sexo tornou-se também mais fácil de ser objetivado. Hoje traições são mais constantes, términos são comuns e o sofrimento diminuiu ou pelo menos foi compensado pela facilidade de acesso a outro par.

Há quem pense que namorar nos dias de hoje é assinar o atestado de burrice, eu não penso assim. É claro que os namoros tem se tornado mais inconstantes, homens e garotas bonitas estão por todos os lados, tudo mais fácil, é mais fácil se aproximar, mais fácil trair, mais fácil esconder a traição, mais fácil arranjar desculpas e caso nada de certo também é mais fácil terminar, mais fácil arranjar outro (a), mas enfim, tem uma hora que todo mundo vai sentir falta de algo menos fácil e superficial, talvez sinta falta de alguma forma de carinho, de uma companhia mais constante, de algo mais profundo, mas e ai, com toda a banalidade e diversão gratuita e fácil que vivemos nos dias atuais, como seremos caras legais e que chamem a atenção de uma garota para ser alguém fixo, alguém a ser namorado?

Meu irmão, se você achou que aqui daríamos alguma formula mágica para atrair garotas e mantê-las na sua, sai fora. Está cheio de cursinhos e manuais de sedutores por ai, eles compram a briga. Nós, do reflexões masculinas não.

Porém, para facilitar a sua vida, relatarei aqui algumas observações empiricamente testadas por mim (Caio Bertechini), analisadas por muitos outros, quantificadas por mais alguns e que deverão ser testadas e ter resultados satisfatórios para você.

São conceitos que não tem apenas serventia prática, mas que foram observados também em sua teoria e de alguma forma explicados e fundamentados em sua aplicação real.

Enfim, chega de enrolar e vamos a eles, mas ainda assim lembremos, não vai achar que lendo esse postulado tu vai ser o garanhão da balada, já disse “sedutologia” não é aqui, apenas apontamentos práticos, então vamos ao que interessa:

Devido à facilidade de acesso as relações nos dias de hoje, seria legal para o cara que quer começar um namoro ter tido experiências diversas com outras garotas. Não que isto seja obrigatório, claro que não, até por que isso depende de seu passado e não mais esta sob seu controle no presente, mas se ainda há tempo, foque-se nisso, pois um cara que até então é visto como um “galinha ou pegador” embora a imagem possa parecer inicialmente ruim, ela só colabora com a idéia de que o “galinha” é sexualmente experiente alem de conseguir outras garotas com facilidade (pois se não, não iria ter conseguido tantas até agora..) isto é, o galinha é o tipo de cara que:


- Não passe segurança absoluta: Você gosta da sua garota, você sabe disso, ela também pode saber porem não é ideal que saiba que você morre de amores por ela, é legal ela saber que você esta “competitivo no mercado” isto é, embora esteja com ela no momento você conseguiria outras garotas com certa facilidade. De afeto e carinho moderadamente, mas não seja chato e não demonstre, de forma alguma, que necessita dela para continuar bem. Mulheres buscam homens seguros de si, independentes e uma dessas características é manter uma imagem de que embora possa parecer gostar dela, conseguiria muito bem viver sem ela e com certa facilidade conseguiria outras garotas também.


carinho- Cuidado com excesso de carinhos: Dentre os relatos de insucessos com casais que mais observei, fato é que maioria dos términos advinha de reclamações de que o cara era “pegajoso” demais, isto é, excedia em seus carinhos. Demonstrações públicas de afeto, flores, várias ligações ao dia dentre outras coisas são coisas legais, mas procure ser moderado nisso, fazer isso em excesso demonstra que você esta na dela e isso faz toda a graça de chamar a sua atenção ir por água abaixo. Isso porque o homem que comete excesso de carinho já demonstra que está atraído e não precisa de muito mais para continuar com a garota. Isso faz com que uma das principais qualidades de um bom namoro desapareça que é a arte de sentir-se sempre atraído. Sem contar que um cara carinhoso demais exige também toda hora por carinho e isso alem de pegajoso e chato demonstra a necessidade de ter a garota a seu lado e perde toda a imagem de um cara legal que a garota busca isto é alguém independente e seguro.


elegância- Preocupe-se com a aparência: Esse é um dos erros cruciais do casal quando começa a namorar ambos engordam com o tempo, são mais desleixados com a aparência e por ai vai... Enfim, para mantê-la atraída por você é necessário que você esteja bem, continue ou comece uma academia, procure vestir-se bem, você só tem a ganhar com tudo isso. Além da melhora na saúde e na estética, estando mais bonito ou “sarado” você consegue mantê-la atraída fisicamente por você bem como consegue atrair também outras garotas, o que além de competitivo demonstra a ela que você também é carne cobiçada no pedaço.[risos]

- Evite infantilidades: Falar como um bebê ou comportar-se como uma criança é ridículo, procure fazer isso muito pouco e de preferência seu uso deve ser iniciado por ela. O mesmo serve para “apelidinhos” carinhosos que podem ser ate mais usados do que falar ou comportar-se como criança, mas também devem ser limitados e iniciados pela garota.


- Seja inconstante: Não faça este tipo de coisas que aqui recomendarei com freqüência, mas fazer de vez em quando será bastante legal para quebrar a rotina do casal: se você combinou de ligar, é legal ALGUMAS vezes não ligar, ou então atrasar a ligação, bem como se você ficou de passar na casa dela as 22hs, passe as 22:30, como já disse não faça isso sempre, o cara que a todo momento atrasa ou enrola demonstra ser alguém “incompetente” e que negligencia diversas coisas, inclusive ela, mas atrasar alguns dias as ligações ou visitas demonstra que você tem mais coisas a se preocupar do que ela, demonstra que você não vive em função dela e que é independente. Mas como eu disse, faça este tipo de coisas com moderação, pois a linha entre o “independente” e o “incompetente” é bastante tênue, sabendo ser moderado nisso você tem a seu favor uma ótima arma para que:

- Não deixe que instale uma rotina: A rotina é nos dias atuais a principal causa junto com o carinho em excesso, para que aconteça o fim de namoros: Note que no começo de toda a relação tudo é novo, tudo é mais gostoso e com o decorrer do tempo a chama vai baixando, as coisas vão ficando comum e perdendo a graça, isto tem um nome: Rotina. A rotina significa que as coisas têm sido sempre iguais, comuns, todas as coisas que são comuns perdem a graça.
Formas de acabar com a Rotina.

1-Conheça lugares diferentes: Visite restaurantes diversos, outras sorveterias, boates, shows, combinem passeios e viagens. Não necessita serem necessariamente lugares caros, apenas lugares diferentes, não deixe a rotina cair no marasmo e esforce-se sempre para visitar junto dela lugares diferentes que possam novamente chamar a atenção do casal pelo que não é comum a ambos.

2-Tenham vida social: É legal saírem vocês dois diversas vezes, mas isto acaba também por cansar: tenha amigos e apresente-a para eles, bem como conheça as amizades dela, saiam em grupo, socializem-se. Sair com outras pessoas quebra o foco de atenção exclusivo dela e permite dialogar sobre assuntos diversos fazendo com que coisas novas sejam trazidas a tona e quebrando a rotina de somente “suas coisas e as coisas delas” muito comuns de quando se sai somente em casal.

3-Reserve um tempo exclusivo seu: Saia com seus amigos, não deixe de participar da pelada com a galera do trabalho, enfim, viva sua vida também: isso permite com que você alivie o estresse de possíveis brigas do casal e se divirta com outras pessoas que não somente ela, alem de reforçar a imagem de independente. Largue de ser “noiado” e permita com que ela tenha também um tempo exclusivo dela e quando isso ocorrer não interrogue tanto e se possível não permita também ser tão interrogado, afirme que estava com seus amigos e que ela precisa confiar mais no taco dela,é tiro certo ;)
Está inseguro?

inseguroVocê esta gostando da garota a seu lado, no entanto alguns comportamentos dela não lhe passam segurança sobre ela ou a relação, pode ser que ela dê indiretas em outros caras ou então não dê muita atenção a você. Enfim, antes de mudar seu status no Orkut você precisa saber se realmente esta com uma garota legal, chiliques de ciúme ou birrinhas suas só irão demonstrar infantilidade e insegurançase está inseguro sobre os comportamentos dela faça com que os seus também não passem segurança, dê indiretas em outras garotas, se aproxime mais de suas amigas, atrase ou não ligue nos horários combinados, isso é: mostre a ela o próprio veneno. Se ela realmente estiver na sua, ficará incomodada com o seu comportamento e automaticamente vai refletir sobre as formas de se comportar dela. Então a tendência é melhorar a forma de como se comporta com você, responda na mesma moeda, você já demonstrou que sabe bem se virar sem ela e marcou um grande ponto aqui! Se nada disso der certo ou você não tiver como fazer “ciúmes” a ela, abra o jogo e como homem, sem demonstrar insegurança ou carência diga que está incomodado com a situação e que espera mudanças por parte dela. Se nada mudar em poucas semanas acredito que ela não esteja tão na sua assim. Ela pode ser gostosa ou tudo mais, mas você arranja outra e é legal terminar o que nem começou para não ficar sofrendo ou reclamando por ai.

- Menções sobre o namoro: Pronto, aparentemente tudo esta bem e firme para que você comece a namorar uma garota legal. Saiba então que mencionar sobre o namoro será uma das principais cobranças por parte dela que é normalmente mais insegura que o homem. Se ela já mudou o status no Orkut mude o seu também ou combinem de mudar juntos, colocar fotos dela é legal, mas procure não colocar tantas ou fazer excesso de menções a respeito dela. É importante não demonstrar carência ou necessidade constante dela, isso ajuda muito a saúde do namoro. Demonstre moderadamente que está namorando e que ela é importante para você embora deva demonstrar também que consegue viver sem ela. Não fazer menção nenhuma a respeito de sua namorada é descaso e isso não é legal e fará que aos poucos ela se comporte da mesma forma e também não será legal para você.

- Equilibrio: Não polarize, não generalize, não seja extremo. Se você prestar atenção, esta última regra consegue resumir com bastante eficácia todas as outras, o segredo é tentar manter-se no equilíbrio: Não ser apegado, não demonstrar descaso, não ter ataques de ciúme e não bancar o bobo ou o displicente.

Enfim, ter um namoro legal nos tempos atuais embora seja algo mais difícil, consegue também ser algo mais prazeroso e menos rotineiro, basta alguns cuidados da sua parte para que ela consiga também poder dar valor ao namoro e as coisas correrem bem. E lembre-se: se nada der certo, fique tranqüilo, embora estejam mais superficiais as coisas estão também mais fáceis nos dias de hoje. além de carência de sua parte, recomendo então que se porte como um “espelho” e que consiga fazê-la insegura também: